Requer esforços de forças nunca temos...
É como medir a passagem dos dias
Pela quantidade de dores que suportamos,
Sendo que, às vezes, estamos frágeis demais,
Até para os cálculos mais simples.
Não posso, não podes, não podemos...
Agora, não! Que tal depois?
Não mais! Não podemos saber, dizer quando,
Quando novamente voltaremos a crer.
"Aquilo que não nos mata, nos fortalece..."
Não sei em quê pensava Nietzsche,
Quando afirmou, ensandecido, que podíamos, sim,
Nos adaptar a impropérios, a dores.
"É quando nosso orgulho acaba de ser ferido
Que é mais difícil ferir nossa vaidade."
Palavras dele... Fundamentemos?
Não, não sei quando deixaremos de chorar.
A tristeza até que me cai bem.
Evita que eu me empolgue demais,
E, daí, sofra dobrado, desnecessariamente.
Como não podemos medir o sofrimento,
Também não podemos precisar até quando,
Até quando teremos que sofrer
Até que chegue o esquecimento.
As lembranças nos alimentam a vida,
Só o esquecimento, porém, a torna suportável.
Não posso prever até quando irei sofrer por ti...
Quiçá a vida inteira. Quem sabe?
Posso apenas amenizar os teus efeitos,
Pois o tempo não apaga as marcas,
Apenas enferruja as lembranças!!!
Antonio Carlos Kal-el

