terça-feira, 18 de novembro de 2008

A D E U S ! ! ! !

Vamos! Rápido! Arruma as tuas coisas!
Anda logo! Eu já perdi muito tempo...
Vai! Deixa a minha vida sem graça!
Não demora! Eu tenho pressa de viver,
Já me desfiz de muita coisa pra te agradar,
Agora, pra me agradar vou me desfazer de ti
E, pra variar, me importar um pouco comigo!
Vivemos o bem que se podia usufruir:
Tu gozaste das venturas da bonança,
Eu, ao contrário, sofri as mazelas da dor;
E diante dessa troca incongruente,
Sou obrigado a te vender em troca de um punhado de paz.
Vai! Leva os meus segredos por aí,
Espero, no entanto, que tenhas a dignidade
De mantê-los em segredo. Lembre-se: Eles são meus!
Ainda estás por aqui? O que te falta? Adeus?
Pois vá, e me deixa com o silêncio dos meus botões,
Eles certamente não me farão o mal que me fizeste.
Assim, não quero mais te ver,
Pois teu rosto me traz lembranças ruins,
A tua presença me deixa angustiado.
Tu. Logo tu que já me fizeste tão bem.
Hoje somos partes distintas de um sonho frustrado...
Tu, que partes com a tua infâmia,
Eu, que fico com a tua falta...
Ah, antes de saíres, faça-me o favor de fechar a porta...
A luz, não! Deixe-a acesa, eu te peço,
Eu ainda tenho medo do escuro...
Antônio Carlos Kal-el

HÁ TEMPOS

Hoje sobrevivo das lembranças que você deixou...
Carrego vestígios, sestros, manias que aprendi contigo.
Há tempos que espero um dia de sol,
Mas tudo são sombras, rastros apagados,
E as pessoas são vultos descrentes, fantasmas,
Que vagam por aí ermos, a esmo, perdidos;
Alguns à procura de luz, (otimistas),
Outros que, como eu, há muito deixaram a claridade,
Andam a deriva em busca dos mortos.
Depois que você me deixou,
As cores perderam brilho, se acinzentaram;
Os dias não aumentaram, nem diminuíram:
Deixaram de existir, pois perdi a noção de tempo.
Dia e noite é tudo o mesmo intervalo de espera.
Já não reconheço os arrebóis,
Tampouco enxergo as estrelas.
Passo um dia após o outro, numa contagem mecânica,
De comer o que não tem gosto,
Amar o que não tem forma,
Buscar o que os outros dizem
E respirar sem querer, pois é parte do instinto,
Não depende da minha vontade.
Se dependesse, eu iria preferir morrer,
Ou, pelo menos, deixar de te amar.
Antônio Carlos Kal-el