Quem chorará no meu velório quando eu partir?
Ou dirá a todos os presentes, consternado:
— “Se muito não fez, ao menos amou demais!?”
Quem, sobre meu féretro, recitará meus poemas?
Pois se não fui bom poeta, vivi de poesia...
Escrevi sobre tudo — sobretudo o amor!
O mesmo amor que me roubou os dias de glória!
Quem bradará aos quatro ventos que mereci uma nota,
Mesmo jamais tendo sido notado... ?
Diante do me esquife, quem lembrará os meus atos,
Atribuindo-me as bondades que fiz,
Enquanto acinzenta os meus maus passos?
Digam que fui menestrel, daqueles que cantam em púlpitos!
Quem me negará os louros depois da morte,
E dirá que não fui poeta em tempos de pouca poesia?
Quem porá flores no meu ataúde no dia sem sol,
E acenderá velas cinéreas em prol da minha ida?
Sim! Morreram os grandes vates. Calou-se a inspiração!
Que aqueles que ficam, escrevam no meu epitáfio:
Buscou a poesia acima de tudo até o fim!
Antonio Carlos Kal-el

