sexta-feira, 2 de novembro de 2007

AS REGRAS DO AMOR

Amo você, razão da minha vida...
Meu porto seguro, meu padrão, minha cura,
Meu sistema de medida... minha lei...
Minha equivalência: O erro, a dor, o "Não"!
Amo teu jeito de negar o mundo,
A tua imperfeição de a nada amar.
Se amas o silêncio. Eu respeito... Discordo,
Pois sinto que és capaz de condensar
A tudo, já que amar é um monólogo,
E te amar é um calvário que me alegra,
Por isso deixo tua falta me agredir.
Tua distância que, madrasta, me diz baixinho
Que tudo que eu fizer é pouco, é nada!
Não posso preencher o teu vazio,
Tampouco materializar antigos sonhos;
Não posso atestar que o amor existe...
Posso senti-lo: é denso, cinza, rude!
Posso até garantir que o amor é um jogo,
Onde ganha quem menos se entrega
E perde quem ousa mais do que deve;
No amor não se pode amar à regra...
No máximo ama-se uma idéia.

A. Carlos Kal-el

sábado, 13 de outubro de 2007

LEMBRANÇAS...

Em dias assim: LÍMPIDOS, de céu azulado,
Costumo me recordar que já contei com você,
Expondo minha fragilidade... Buscando seu amparo!
Hoje releio as cartas que te escrevi depois que morremos,
As mesmas cartas que nunca foram enviadas;
As mesmas frases ressabiosas e patéticas,
Que idealizavam um quadro que só eu sonhava:
Um monólogo, uma utopia particular - um sonho.
E se tudo realmente acabou, como dizem os fatos,--
Os versos de amor, guardados, esperando por mim --
O que fazer com tudo isso?
Onde posso derramar essa amargura?
Hoje, depois de nós, deixei de poesia...
Só não sei explicar as suas fotografias, aqui, presentes,
Distribuídas pelas paredes do meu quarto,
Com olhares inquisidores... Vigiando-me!!!
Como explicar minha fidelidade por ti, fantasma?
Depois de ti, deixei de crer em relações perfeitas,
Embora a nossa história nunca tenha sido um exemplo.
Amei os teus defeitos, como amou um anjo caído
A predisposição ao pecado de amar...
Amar o impossível, pois nunca tive você completamente.
Agora sou um programa que repete velhos hábitos;
Lembro e relembro alegrias que hoje me fazem chorar,
Sabendo que o que me machuca é a saudade:
Saudade de nós, embora nós já não exista,
E a minha realidade seja apenas um conjunto de lembranças...

A. Carlos Kal-el

DEPOIS DE VOCÊ

Depois de você, (sejamos sinceros) tenho que admitir:
As outras terão pouca importância...
Serão versos adornando um poema
Em que você foi a fonte de inspiração.
Depois de seus beijos, (detesto desagradar) confesso:
Os outros que darei, ainda que apaixonados,
Não terão mais sentido, ou mesmo razão;
Serão pétalas de carinho... nada mais,
Apenas completando a perfeição da flor --
Que nada mais é senão o símbolo da beleza.
Depois de te amar, esqueci as teorias que por anos estudei,
Pois não havia explicação pra tudo que eu sentia:
"Aquela vontade de viver e morrer ao mesmo tempo...".
Depois de você, parei de sonhar,
Pois os objetivos ficaram pequenos, insignificantes;
Eu já não acreditava na grandeza das coisas.
Sendo que nada se igualava a ti...
Depois de te ter, perdi a razão, o caminho de casa;
E agora vago sem rumo, proscrito,
Vivendo um dia após o outro, sem esperança,
Num desejo louco de que tudo acabe logo.
Depois de você, tudo mais que me resta, o que já era pouco,
Se reduziu a praticamente nada,
Pois nada é a soma do mundo sem você,
E esse montante não me satisfaz...
Depois de ter tudo, o infinito,
Não posso me contentar com migalhas!

A. Carlos Kal-el

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

LEMBRANÇAS DO AMOR

Saudade dos nossos tempos de amor...
Da tua decisão despachada que não media esforços,
Da tua coragem desproporcional -
Coragem de mudar o mundo.
Estou me sentindo sozinho sem os teus problemas,
Sem tua vida complicada, diante da minha: Diáfana!
Ainda choro ouvindo as nossa músicas;
Ainda deixo a porta aberta... te esperando...
Como se a vida não tivesse nos afastado,
E o nosso amor já não passasse de uma mera lembrança.
Cansei de te buscar em outras bocas...
Outros corpos jamais terão tuas curvas sibaritas;
Assim como, nunca mais encontrarei - Eu juro -
Outro alguém que possa me desafiar novamente.
Sinto saudade das tuas teorias sobre o amor,
Onde o amor era o que menos importava;
Tudo entre nós se definia por outras razões:
Era uma junção de pele com amor platônico...
Eu te amava, enquanto amava meus atos;
Tu me amavas, enquanto fugias dos meus toques,
Num jogo de gato e rato inconsequente,
Sendo que no final, sempre nos refestelávamos
No queijo proibido dos orgasmos compensadores.
Eu fui o primeiro a te dar prazer;
Tu foste a primeira a me amar de verdade, dizendo: "Não"!
Nós fomos os únicos que terminamos sozinhos...

A. Carlos Kal-el

APRENDER A CONFIAR

Às vezes estar-se assim, descrente: Vivendo por viver!
Sem maiores sonhos de amor... Alheio a fantasias...
Como se se entregar fosse dar um tiro no próprio pé:
Onde o amor perfeito se define num sonho inalcançável.
Não que a vida seja de toda incompleta;
Longe disso: Imaginar que tudo é desilusão!
A vida segue seu curso, ainda que se tente,
Paranóico, seguir num rumo diferente dos demais...
Mas ela continua, independente do que se faça.
É quando vem a vontade de meter a cara no trabalho:
"Fatigar o corpo, pra que o peito não ame!"
Fazer tudo superficialmente, sem nunca acreditar --
Passar pela vida sem saber o que é sofrer;
Pois sofrer denota humilhar-se, render-se...
Quando sofrer é viver, adaptar-se.
É preciso confiar em algo mais, que não em si mesmo,
Pois não se pode sobreviver, assim, isolado,
Como se o mundo fosse um mundo,
Fora da ilha que optamos por viver.
É preciso aprender a confiar na sorte,
Embora a sorte seja um sortilégio pouco confiável.
Jamais se encontra um grande amor pastorando o próprio umbigo;
Tudo que é completo, se completa além da unidade,
Pois apenas Deus é a unidade perfeita...
Nós? Somos imperfeitos... Carentes de compreensão,
Por isso precisamos aprender a confiar.
Quem sabe, talvez pela confiança venha o amor...

A. Carlos Kal-el

terça-feira, 9 de outubro de 2007

A MELHOR ROUPA

Hoje me vesti das saudades de nossos melhores dias,
Daquele saudosismo saudável que me alimenta a vida.
Vivo das lembranças suas, dos vestígios seus;
Daqueles que ficaram pelo meu corpo...
Os mesmo que nunca saíram do meu olhar.
Ainda vejo você vestindo as nossas fantasias,
Onde o que mais se destacava era o seu corpo nu:
Curvas suicidas que sempre me enlouqueciam,
E gestos desarticulados entre sussuros de satisfação!
Você foi a meu melhor traje de gala na festa do amor,
A mais perfeita roupa que vesti (enquanto me despia).
já não posso compor um convite pra felicidade;
Falta-me você e sua mania de sempre saber tudo.
Hoje, são trapos os dias nos quais respiro:
Uma falta de sentido, um quê de vazio...
Onde foram parar os ápices de esperança,
Agora que já não espero mais nada de glorioso?
É como se tudo se restringisse a remorsos,
E a vontade de continuar tivesse ido embora.
Esqueci o caminho de casa, do amor...
Vem, e me mostra como posso voltar a sorrir;
Volta, e me devolve aquela alegria que me definia.
Posso te assegurar que já não sou uma pessoa suportável!
Me tornei um chato, um ranzinza, um pessimista...
Um averso de tudo que te fez feliz;
Saudade, certamente!
Saudade dos tempos em que me vesti com você!

A. Carlos Kal-el

domingo, 7 de outubro de 2007

I N S Ô N I A

Eu sempre tive problemas pra dormir,
Mas nada que me fizesse trocar o dia pela noite –
Hábito agora rotineiro, depois que te perdi...
Fico acordado durante as noites, numa esperança vã,
De quem sabe, vir a te alcançar durante o sono,
Aproveitando-me do teu descanso
Pra diminuir a distância que nos separa,
Como se ainda pudéssemos dividir um sonho.
Passo as noites vendo tuas fotografias sorridentes,
Imaginando se elas pudessem conversar comigo,
E apaziguar essa saudade que me mata,
Numa notória demonstração esquizofrênica,
De que enlouqueci depois que me deixaste,
Ainda mais por saber que foi minha culpa.
Ao raiar dos dias, com os olhos ensangüentados,
Cumprimento os arrebóis, que me confirmam
Que a noite acabou, e o sono não veio,
Aumentando a contagem dos meses, já tão imensa,
Numa aritmética tirânica que soma sempre dor
À minha vida ociosa, sem teu corpo pra amar.
Com o tempo nos acostumamos às adversidades;
Hoje a insônia até me completa o teu vazio,
Pois é na madrugada que me sinto contigo –
Remoendo a saudade e falando com a tua ausência –
Buscando na minha culpa e no teu desprezo,
Um significado pra minha solidão,
Já que meu peito não dorme sem te ter por perto
E o meu amor hiberna, esperando que voltes pra mim.

A. Carlos Kal-el

sábado, 6 de outubro de 2007

FALTA VONTADE DE CONTINUAR!!!

E a nossa história chegou ao fim...
Agora só ouço os vultos de uma saudade duradoura –
Resquícios desbotados do nosso grande amor;
E tudo de mais palpável que me restou são essas manias.
Perdi a vontade de viver no exato momento
Que tua boca saiu do alcance dos meus olhos...
Vejo o vento que me traz notícias tuas –
As piores possíveis! Pois ele me afirma:
Que retomaste a vida, apesar da minha ausência.
Bate-me um desespero inconsolável,
Uma ânsia de querer arrancar do peito teus vestígios,
Como se eu pudesse apagar a felicidade vivida,
Pra reescrever que reaprendi a sorrir –
Quando me falta coragem até pra respirar.
Sinto um aperto me comprimir a alma
E um frio que só confirma minha solidão.
Perdi toda a esperança de continuar
Acreditando que os sonhos são possíveis...
Meu sonho se perdeu, quando me perdi do amor;
Ali, logo que me viraste as costas, dizendo adeus.
Hoje busco os microscópicos pedaços de uma fantasia
Que me alimentou a vida durante anos.
Tento reencontrar o caminho de casa,
Onde eu, tu e o amor, outrora residimos,
E que agora é uma casa fantasma:
-- Este meu coração, sem amor, desfalecido!!!

A. Carlos Kal-el

EMPEDERNIDO

Quem diria, que a essa altura da vida, o fim de um relacionamento
Fosse me abalar de forma tão profunda...
E que a solidão me fizesse sentir tanta falta dos teus afagos,
Ou que os seus defeitos me parecessem tão virtuosos!
Por que somente agora as tuas mentiras me são claras?
Que o veneno sorvias na minha saliva que explique tanto torpor?
Ah, contigo acabei todo o meu estoque de lágrimas...
Posso até dizer que não sou mais capaz de chorar por ninguém,
Tampouco, também, sou capaz de acreditar novamente --
Tu me roubaste aquela inocência que me desarmava;
Já não levo o peito aberto, e os cabelos ao vento,
Esperando encontrar apenas o que de melhor as pessoas têm --
Hoje a mágoa macula a minha boa-fé,
E atrás do gesto mais despretensioso,
Por tua causa, só vejo as traições que ele possa ocultar --
Perdi a capacidade de me surpreender:
Agora tudo tem um preço e um motivo...!
Não que antes não tivesse – é diferente –
Outrora eu me deixava levar pelas possibilidades –
No presente, já não vejo outras coisas,
Que não, a dor e o sofrimento que possam me causar
Qualquer mulher que se aproxime,
Tentando afagar as feridas incuráveis que me fizeste...
Quando poderei aplacar toda essa atonia?
Nunca! Não há como te eximir do meu fadário.
Eu sempre hei de lembrar do mal que me causaste!
Conseqüentemente toda mulher terá o teu rosto:
Toda dor terá a tua assinatura –
Como uma tatuagem cauterizada no meu coração.
Como não posso te esquecer,
Também não posso voltar a amar, seja quem for.
Resta-me apenas a dureza que me fez, de amável –
Agora – por tua causa, um eterno empedernido.

A. Carlos Kal-el

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

TEU OLHAR

Já não há dias claros com céu ensolarado,
Como aqueles que sempre povoaram teu olhar castanho.
Hoje tudo que restou foram visões pouco animadoras,
Onde a vida se desenha por nuvens acinzentadas
E o firmamento delimita que não há mais esperança!
Era através do teu olhar que eu podia ver o mundo,
Numa perspectiva otimista de que amar valia a pena.
Agora que me fechaste o horizonte –
Nunca mais verei as estrelas através dos teus olhos.
Por certo não há outra janela que me mostre o paraíso,
Que não o meu reflexo nos véus da tua alma;
Contudo morri, quando fui expulso do jardim naquela lágrima
Que choraste, ao comprovar o meu erro.
Não há nada no mundo que possa ser tão lindo
Quanto o teu olhar a espera de um beijo meu;
Nem visão mais inspiradora que se equipare
Ao brilho irradiado dos teus olhos durante um sorriso.
E na minha insensatez fui capaz de magoar tua alegria,
Tentando buscar em outros campos de visão,
A perspectiva que só pode ser vista por ti.
Jamais outra pessoa me verá tão solícito novamente,
Pois não pretendo me refletir no olhar de mais ninguém.
Perdi a capacidade de ver os sinais do amor
Quando o teu olhar apagou a minha imagem da lembrança –
Condenando-me à obscuridade da solidão,
Pois não existe outro olhar tão lindo quanto o teu.

A. Carlos Kal-el

POR QUANTO TEMPO?

Por quanto tempo se pode amar alguém?...
É natural que pensemos que pela vida inteira.
Mas os tempos são diferentes no que se refere ao amor...
Em princípio amamos de forma branda, cogitativa –
Supondo, ansiando – vendo apenas possibilidades –
Um amor platônico, não lascivo – totalmente sublime,
Onde nos contentamos com pequenas coisas,
Nos satisfazemos com o simples fato de estarmos amando.
Depois que conseguimos concretizar o sonho –
Aquele sentimento tênue toma formas possessivas –
Passamos a extrair toda a plenitude de uma cumplicidade
E já não nos alegramos com o individualismo, com a solidão;
Vivemos a felicidade plena – ou o que pensamos que seja ela!
Daí as coisas se fragmentam, inevitavelmente,
E por mais que não queiramos, nos tornamos amargos –
O que um dia fora complemento, agora não passa de mágoa...
Buscamos nos arrepender de coisas que nos fizeram felizes,
E, chegamos à conclusão que não sabíamos o que era felicidade!
Então, advém a pergunta que perdura:
“Não aprendemos nada com a experiência?”
“Nada!”... Pelo menos não no campo inexpugnável do amor –
Pois basta que já nos sintamos curados de um
Para, como tolos, inexperientes, comecemos tudo de novo,
Como se nunca na vida tivéssemos amado,
E, conseqüentemente, inevitavelmente, fatalmente: sofrido!

A. Carlos Kal-el

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

ABANDONADOS PELO AMOR

Remexendo em minhas memórias empoeiradas,
Incidentemente me deparei com os teus vestígios
E pude sentir meus antigos cortes entreabertos,
Com meus dedos, calejados, de tantos acionar o isqueiro.
Nessa angústia, não me importo com o róseo dos pulmões,
E fumo, tentando me acalmar na tua ausência.
Lembro as noites insones em que a dor me fez companhia,
E a saudade tiranizava o seu reinado.
Recordo-me dos nossos momentos de felicidade,
Onde formávamos um trio perfeito, dividindo um sonho.
Em que ponto da vida o amor nos deixou?
Onde foram parar todas aquelas promessas compartilhadas?
O que fazer agora, que somos órfãos da alegria?
Se fomos abandonados, até hoje não conheço o motivo;
Também sei que essa ruptura te fez mal,
Mas parece que sofro em escala multiplicada –
Como se a minha parte do amor fosse maior
E a tua parcela, algo já totalmente protelado.
Foi o amor que nos deixou, ou algo pior?
Não quero acreditar que foste tu que partiste,
Deixando eu e o amor: abandonados.

A. Carlos Kal-el

DE QUE ADIANTA?

De que adianta a minha declaração de amor...?
Você também já sofreu por amar alguém,
E ainda que eu queira unir as nossas dores,
Tentando apaziguar os nossos corações despedaçados,
É provável que você não compartilhe do mesmo interesse.
Então, de que adianta te querer em meus braços,
E te oferecer um porto bonançoso em que possa confiar,
Se você já fechou todas as portas pro amor
E as declarações que te oferto, apenas te pareçam:
Velhas frases que você já não deseja ouvir?
De que me vale escrever os poemas mais belos,
Se nunca vou conseguir romper as barreiras,
E alcançar a profundeza da sua confiança?
Sofrer por alguém deveria ser proibido –
Já que depois da dor, certamente, vem a indiferença!
De que adianta conseguir apenas alguns beijos,
Ou te fazer mulher, se você não se der, verdadeiramente,
Arriscando-se a me deixar entrar no seu coração?
De que adianta eu te achar linda e por ti suspirar –
Clamar por sua boca e a seus encantos me render,
Se não poderei ocupar um lugar de destaque,
E ser mais que apenas um corpo que te aquece?
De que importa eu te amar por toda a noite,
Se pela manhã não me vir refletido em seus olhos?
Um corpo sedutor que te arrebata,
Uma boca curiosa que te desbrava...
Quero ser mais que um mero item da listagem.
Ver o reflexo do que fui – no seu primeiro sorriso;
E a certeza do que sou – na sua última lágrima.

A. Carlos Kal-el

A SUCESSIVIDADE DAS COISAS

Às vezes, em raras ocasiões, acorda-se assim, de bom-humor –
Festejando-se o calor contagiante dos raios de sol
E a perspectiva fantasiosa da continuidade dessa alegria.
Tudo bem que até o fim do dia as coisas voltam à normalidade,
E esses momentos extasiantes servem pra maquiar o espírito.
Como não há um período sempiterno de extrema felicidade,
Onde a dor, às vezes, aparece só pra contrapor a perfeição –
Também não existe vivência intermitentemente tormentosa,
Que a alegria não visite, mostrando a disparidade das coisas,
Na sua empáfia – Nada é mais arrogante do que a alegria!
Pois se aquilo que é bom pode vir a deixar de ser,
O que é ruim, em contra partida, sempre pode piorar.
Tudo bem que não podemos basear tudo pela lei de Murphy,
Mas se uma coisa tem que dar errado – é certo que dará;
E, pro nosso desespero, sempre da pior forma possível...
Então, todas as vezes que nós somos pessimistas,
Negamos a possibilidade de que o bem nos aconteça?
Talvez! Mas assim evitamos a decepção por algo que não virá.
E sejamos sinceros: O otimismo se mostra deveras piegas.
Acabou-se o tempo de milagres – o que é bom já não acontece.
Precisamos aprender que, as coisas, dificilmente dão certo –
E se, por ventura, dão – é porque algo, certamente, deu errado.

A. Carlos Kal-el

domingo, 30 de setembro de 2007

SEGREDO

A minha maior fantasia é te amar em silêncio;
Flertar com tua sombra e te enviar bilhetes anônimos,
Pois o segredo camufla as minhas possibilidades,
E valoriza também as minhas chances,
Enquanto nega uma possível rejeição...
E eu gosto de te amar à surdina,
Olhando, à distância, teus passos faceiros,
De uma andar envolvente -- planando --
Como se os céus estivessem sob teus pés.
É mesmo um caso patológico,
Passível de análise, quiçá, não sei: exorcismo?...
Mas longe de mim ser Voyerista:
Adoro te olhar, concordo!
Mas cogito ir mais além... Quero tocar-te.
Amo todas as partes que ao todo te completam:
Desde a maneira singela com que mexe nos cabelos,
Até o teu olhar furtivo, quando fica sem graça,
Depois de receber um elogio verdadeiro.
Das partes que formam o todo...
Do todo que examino por partes:
Amo o conjunto -- A simples menção de tua existência.
O que ganho em te amar assim?
Tudo! Amo a esperança de que um dia me correspondas,
E a certeza de que sinto um amor sincero, tenro,
E, esse sentimento é uma maravilha.
Esse amor é, numa imaginação elevada ao delírio,
O complemento de tudo...
É imaginar o teu beijo e ele ter o gosto perfeito;
É viver o amor, sem nunca ter que discutir a relação;
É te amar todos os meses, sem um dia de atrito...
Pré ou pós, e outras formas de mau-humor.
Porém sou capaz de abdicar de toda essa harmonia
Por apenas um dia ao teu lado... Te amando!!!

Antonio Carlos Kal-el

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

ÀS VEZES ERRAMOS

Tudo bem, eu assumo – errei! Acabei te magoando...
Enquanto você foi leal, eu usei de má fé, de pura covardia!
Sei que não adianta tentar me redimir do deslize;
Ainda que eu me ponha de joelhos implorando o seu perdão,
Será difícil acreditar naqueles erros de um gole a mais.
Não posso atrelar o meu vacilo à minha solidão –
Não há desculpa que justifique a minha falta de caráter,
Mas daí a dizer que não te amo, já é exagero!
Às vezes precisamos errar pra reconhecer o verdadeiro amor.
Acontece que nesse processo sempre magoamos alguém –
Como num determinado dia eu magoei você,
E, orgulhoso, pensei que poderia te esquecer com o tempo;
Mas agora vejo que não sou capaz de te deixar pra trás,
Nem, tampouco, te arrancar do meu peito, que sente saudade!
Sei que não posso isentar o meu pecado alegando a distância –
Mas apelo – Pois tenho que me agarrar a alguma esperança...
Ainda que seja a fantasia infundada de ter você de volta.
Porém, sei que o orgulho não é uma singularidade minha.
E é certo que jamais voltará atrás – ainda que me ame!
O que me leva a me contentar com as boas lembranças,
Pois sei que não perdoará a minha quebra de conduta.
Contudo, peço que me perdoe pelo amor dos sonhos vividos –
Afinal, quem nunca errou um dia nessa vida?
O que me leva a me apegar à sua misericórdia,
Pois todo pecado é passível de perdão,
Principalmente os pecados de amor...!
E por esse pecado certamento o inferno me aguarda...
A. Carlos Kal-el

terça-feira, 25 de setembro de 2007

DISPOSTO A AMAR

Levantei pela manhã com um pensamento fixo:
"Hoje vou amar. Seja o que for , ainda que só por um dia!"
E estava disposto a tanto;
Tanto que a primeira coisa que fiz foi me desarmar,
E fui logo me desprendendo dos 'pré...' e contras,
Pois o coração tinha que estar limpo,
Só assim conseguiria acreditar em sonhos.
Pra se viver um grande amor é preciso que se esteja livre:
LIBERDADE & AMOR rimam-se em grau e gênero.
O coração necessita voar, sonhar, arriscar-se...
Começando por cogitar possibilidaes,
Até concretizar-se em amante e coisa amada.
Um coração que ama, compreende;
É uma terra fértil onde nasce os melhores frutos...
Embora as grandes histórias de amor,
Aquelas contadas pelos grandes poetas ao longo dos séculos,
Sejam sempre as que nunca deram certo.
Mas o que quero agora é amar e amar...
E durante o dia amei o sol, os pássaros, a melodia,
A leveza insustentável do firmamento,
E as matizes diáfanas das cores do arco-íris --
Ou seja, acima de tuo amei.
Todavia não pude ser capaz de me entregar completamente,
Pois jamais soube o que era realmente amar
Até te encontrar, vida minha,
e descobrir que, enfim, encontrei a mim mesmo.

A. Carlos Kal-el.

domingo, 23 de setembro de 2007

PERDESTE O SENSO...

Houve um tempo em que tu acreditavas em sonho --
Chegava mesmo a recitar contos de fada, utopias...
Moldando-se à feição de Rapunzel
Ou comparando-se à Cinderela:
Numa esperança firme de que tudo sempre acaba bem.
Hoje já não vejo luz no fundo do teu olhar.
Sabe aquela franqueza inocente que cria em tudo?
Perdeu-se, quando perdeste a capacidade de acreditar.
E o que foi feito de ti, fantasma de outrora?
Onde foram parar tuas ilusões otimistas?
Quem te roubou a esperança de amar?..
Dirás que fui eu? Quanta injúria!!!
Ninguém rouba a bondade das pessoas:
Elas a perdem, quando perdem o prumo,
E passam a buscar, fora, o que sempre,
Sempre esteve dentro, quieto, imaculado,
No fundo do coração que não se conspurcou.
Paraste de crer na felicidade quando abriste os olhos:
Pois amar é vendar-se, e sair tateando;
Crer no que não se vê ou existe...
Amar é aposta que não se ganha,
Mas que não pode deixar de ser feita,
Já que o amor é medido pelas possibilidades...
Ama, e pronto!!!

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

VERDADES IRREFUTÁVEIS

Busco nas memórias mais recentes momentos de alegria,
Contudo,invariavelmente,sou remetido a lembranças doloridas–
Como se toda a nossa história tivesse se resignado a dor!!!
Mentalmente argumento com verdades irrefutáveis;
E como que sabatinado por todas elas,
Acabo me convencendo da realidade das questões a mim interpeladas...
Teria sido toda a nossa história uma ilusão?
Tola quimera tão tênue como as promessas de amor?
Fantasias da percepção de um intelecto débil e volúvel?
Não pode tudo ter sido simplesmente fantasia...
Como explicar as lágrimas, as cicatrizes, as noites insones?
Ou aquele lirismo piegas existente apenas naqueles momentos pós-orgasmos?
Custa-me crer que eu tenha criado tudo isso em minha mente,
Que eu tenha projetado este amor a ponto de te personificar.
Não! Você existe, ainda que não esteja ao meu alcance!
Ainda que se mantenha indiferente ao meu sentimento,
Carregando, nas suas lembranças, memórias minhas;
Recordações de um amor que marcou minha vida
E que pra ti não passou de uma aventura –
Uma daquelas loucuras que, depois de vivida,
Deve ser, do coração, postergada, por ser suja!
Mas os segredos compartilhados entre quatro paredes,
Esses não podem ser enterrados...
Aquelas loucuras de amor que um dia vivemos,
Hão de permanecer em nossas vidas para sempre,
E ainda que queiramos apagá-las, esquecê-las,
Permanecerão límpidas como cristais inquebrantáveis,
Pois têm o amor como sua maior testemunha.
Aquelas confidências que dividimos sobre uma cama
São fadadas a se fazerem eternas.
São como verdades incontestáveis tatuadas na alma –
Se acaso tentamos delas nos ocultarmos,
Retornam como fantasmas assombrosos,
Para na calada da noite nos afugentar o sono.
A. Carlos

NÃO MAIS

Não mais mendigarei seus poucos beijos –
Tampouco implorarei por seu calor –
Já basta de viver dos meus desejos –
Sonhando que em você exista amor!!!

Já chega de mentir pra minha vida,
Que um dia ficarei contigo enfim...
Não posso me enganar por ti – bandida –
Que nunca vai sentir nada por mim!!!

Digamos que esquecer seja o que eu queira,
Ainda que você tente o contrário,
Que vai provar pra mim que é verdadeira –
Eu vou continuar como um otário!!!

Difícil descobrir como agradar
A quem nunca com nada está contente...
Complicado também tentar amar
Alguém que a cada dia é diferente!!!

Que me resta, que não o meu desprezo,
A minha indiferença maculada,
Contidos no sentimento indefeso...
Que sofre por amar pessoa errada!?!?!?

Nas dores, tudo contra mim conspira;
Você que poderia – nada faz!!!
Adiciono outra folha a minha lira:
A de amar sem comigo ter a paz!!!



A. Carlos

sábado, 15 de setembro de 2007

UMA NOVA POSTURA

Eu não quero ser mais um daqueles saudosistas incuráveis,
Que ficam fantasiando volta daquele amor que há muito se acabou...
Tampouco quero me tornar um poeta caduco, ressentido,
Que não consegue se expressar – se não por lembranças ressabidas.
Há outras coisas além do remorso pelos erros cometidos.
Em algum lugar das minhas experiências eu devo ter sido feliz;
O que me leva a acreditar que ainda posso reencontrar o caminho,
E voltar a sentir espasmos de alegria, despetalando flores...
O ruim dos enterros amorosos é a perda da fé,
Onde a pieguice mostra a sua face mais ridícula
E o tempo parece arrastar-se mais que o necessário,
Afugentando a coragem do reaprender-se a amar.
Então tudo o que foi amor se mostra infortúnio...
Onde houve frenesi, há de restar apenas arrependimentos.
Se, o purgar-se nos torna humanos, pecadores;
O ausentar-se dos verdores da vida, certamente nos enclausura.
E todo vate arrependido, por certo, deve ter amado, pecado.
Não há poeta que escreva, com convicção, sobre o que não viveu –
Nem filósofo, incrédulo, que difunda o abstrato...
Viver é preciso – Errar é necessário!
Amar é um ato irrefutável, posto que perdoável.
Abster-se, porém, nada mais é que covardia.
Sendo que todos as máscaras hão de cair um dia,
De nada adianta dissimularmos o inverossímil:
Num dado ponto da vida há de surgir o álibi inquebrantável do amor.
É quando os incrédulos hão de acreditar
E os fanáticos, reverberar...
E, os poetas, enaltecidos, ratificar que nada é mais importante,
Que o simples fato de amar incondicionalmente...
Que eu seja parte dos bem-aventurados que hão de ver,
Apesar de as dores de agora.

O PREÇO DOS SONHOS

Por vezes custa crer que tudo na vida tenha um preço...
Que, se agora nos refestelamos na alegria plena,
A certeza de uma ressaca de tristeza nos aguarda no despertar.
Olhamos – o amanhã – assombrados pela incerteza;
Ainda que tenhamos total controle do que fazemos.
Assim – por mais completo ou satisfeito que sejamos,
Há um vazio inerente que nos cobra por algo mais,
E quando já não nos falta nada (o que é impossível),
Abdicamos de tudo em busca daquela paz que outrora tivemos.
De certo, é que é da natureza humana a eterna insatisfação...
Uns querem, em princípio, apenas o mínimo possível –
Daí os desejos ganham configurações mais ambiciosas;
Outros, no ápice de suas megalomanias,
Buscam mais do que podem usufruir ou necessitem –
Mas fatalmente todos querem alguma coisa, seja o que for!
E do cúmulo da nossa especulação do abstrato
Paramos e perguntamos: “O que Deus poderia querer?”
“Teria sonhos? Se não como os nossos – semelhantes?”
“A quem poderia solicitá-los, se acaso os tivesse?”
Sonhos: querer, ansiar, almejar, desejar algo...
Carregar no íntimo uma frustração incontida
Por não ter o poder de plenamente realizá-los!
Qual seria o preço dos sonhos – A punição?
Se não, qual a moeda de troca utilizada?
Pois a pena nunca se iguala ao tamanho do delito –; isto é certo!
Como o êxito da conquista, por mais satisfatório que seja,
Jamais será igual a plenitude do sonho...
Certamente Deus não nos realiza todos os sonhos,
Porque não pode nos cobrar os castigos equivalentes...!
A. Carlos Kal-el

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

TUDO PASSA

Há muito ando contando os primeiros raios de sol.
Esse meu saudosismo nunca me deixa dormir...
Sempre tem alguma coisa me atrelando às lembranças!
Vejo a célere sucessividade dos acontecimentos
E, às vezes, me espanta a passagem dos anos,
A minha insistência em adquirir novos vícios,
Assim como a teimosia em conservar antigos...
Há muito neva nos meus cabelos
E as erosões se proliferam pela tonalidade da cútis –
No entanto, a senectude não me trouxe o dom de esquecer.
Os meses se sucedem nas folhas do calendário;
O tempo passa e o início começa a envelhecer –
Pode-se notar isso nas marcas contraídas.
Olho o horizonte e antevejo as respostas depois das colinas –
Mas estas, quando alcançadas, não me trazem soluções!
Então, começo a pensar que nada tem fim,
Que é uma rota viciosa que sempre termina no mesmo ponto...
E em meio aos pensamentos paranóicos
Vejo que não há nada que possa ser feito –
Ainda conservo hábitos herdados de nós,
Que são virtualmente impossíveis de olvidar...
O tempo, por certo, deve estar enganado –
Absolutamente – nem tudo continua...
Sou como o cachorro que caiu do caminhão de mudança:
Fica desnorteado, bitolado às velhas rotinas;
Ou como o velho que se apegou àquela roupa surrada,
Pois tudo passa e eu ainda ando pensando em você.
A. Carlos

domingo, 9 de setembro de 2007

SÓ O TEMPO É SEMPITERNO

Como o tempo muda a mente,
Muda o peito e o coração;
Faz nascer nova corrente
E morrer velha ilusão!!!

Com o tempo perde brilho;
A paixão – todo o furor!
A rotina perde o trilho;
O coração – todo o amor!!!

Nada – enfim – é sempiterno...
Tudo que começa – acaba;
Passa a vida como um inverno –
E um belo dia desaba!

Com o tempo tudo morre –
Só a dor se faz perene...
Ninguém a ninguém socorre;
Quem quiser penar, que pene!

Com o tempo perde a força,
A coragem de seguir...
E por mais que a mente torça –
O peito quer desistir!!!

É um caminho sem volta,
Quando perde-se a paixão –
O que ‘inda quer, se revolta...
O que nada quer mais - Não!!!

Querer muito é o caminho,
E pro tempo é o remédio –
Preferível estar sozinho,
A acompanhado com tédio!!!
A . Carlos

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

CONFISSÃO

Você bem que poderia confessar os seus enganos,
Admitir que estava errada nas suas convicções...
Que no fundo sempre soube que eu estava certo
E só não dava o braço a torcer por pura estupidez.
Você bem que poderia voltar atrás, arrependida,
Implorando, quem sabe, que eu pudesse reconsiderar;
Que te perdoasse, e, até (é possível) te aceitasse de volta –
Afinal, foi a sua insensibilidade que nos afastou.
Você bem que poderia deixar de ser assim, intransigente,
Assim, empáfica, tão aquém da humildade,
Como se tudo girasse ao redor do seu umbigo,
E todos te devessem obediência – principalmente eu!
Você bem que poderia acreditar mais nas pessoas –
Dá-lhes, pelo menos, o benefício da dúvida –
Esperando mais do que apenas comprovar os seus receios...
E, conseqüentemente, conseguir a desculpa perfeita
Pra sempre se eximir dos relacionamentos alegando inocência.
Você bem que poderia admitir que me ama –
E ser capaz de confessar isso, ainda que somente numa cama –
Já seria um passo significativo para seus futuros relacionamentos:
A simples percepção de que podemos, desarmados,
Ter grandeza suficiente para expressar amor.
Você bem que poderia...
...É, poderia...
Mas você não pode...!
E é isso que me diferencia de você:
Essa qualidade de conseguir aprender com os erros,
Coisa que você nunca será capaz.
A. Carlos Kal-el

VELHOS TEMPOS

Hoje, ao ver, velhas fotos desgastadas.
Em nuances, pelo tempo, invertidas;
Olho cútis belas, desenrugadas –
E pergunto, em frases ressabiadas:
Quem seriam tais pessoas, ‘squecidas???

Velhos rostos que não lembro e, tampouco.
Agora, recordar deles pretendo...
Perderam-se no meu passado louco;
Desse tempo que em mim ficou tão pouco –
E o pouco que ficou venho esquecendo!!!

Seriam tais semblantes – ex-amores?
Pedaços que esqueci pelo caminho?
Em quantos desses rostos deixei dores?
E quantos me deixaram dissabores?...
Algum deles, como eu, vive sozinho???

Retângulos que me olham (inquiridos),
Querendo perguntar por onde eu ando;
O que fiz com os momentos vividos,
Co’ as lembranças dos beijos divididos,
Se ainda me verão um dia... (e quando)???

Por certo nunca mais dividiremos
Outra coisa, que não, vagas estórias;
Tampouco nesta vida nos veremos –
Pois, em comum, apenas o que temos
É um passado cheio de memórias!
A. Carlos Kal-el

CARTAS DE AMOR

Hoje me deparei com velhas promessas de amor eterno,
Quando reli remotas cartas empoeiradas pelos anos...
Quase voltei a acreditar que o amor existe!
Ainda que superficialmente, revivi esquecidas dores;
Aqueles textos repletos de uma certeza infundada,
Povoados de incontáveis adjetivos, supostamente compartilhados,
Manchados pela pureza ilusória de que tudo acabaria bem...
Mas eram apenas cartas de amor!!!
Declarações despretensiosas de um coração dopado de amor.
Por mais piegas que possam parecer,
Os folhetins amorosos merecem respeito –
Quiçá uma biblioteca exclusiva dos mais memoráveis;
Melhor: uma home page itinerante,
Já que estamos nos tempos do ponto com...!!!
Cartas de amor são idênticas a bilhetes suicidas:
MERAS JUSTIFICATIVAS!!!
“... Justifico, para os devidos fins que se fizerem necessário,
Que por te amar demais não sei viver sem você,
E que as suas palavras cruéis de rompimento,
Representam a bala me perfurando as têmporas!”
Viver e morrer por amor...
Por mais paradoxal que possa parecer,
A vida segue os roteiros das cartas amorosas:
– No começo tudo são louros, alegrias;
Acreditamos na pureza das coisas.
Depois as dúvidas começam a aparecer, acinzentando as glórias –
Contudo – ainda há esperança e, solícitos, camuflamos os ressábios.
Mas no final tudo se fragmenta em dores e mágoas!
Assim o contexto da vida se completa, se confirma...
Dos relatos de amores febris: Lívidas cartas comprometedoras!
E agora, quando tudo se resigna a descrença,
Remexemos em velhos baús, procurando
Aquelas antigas cartas de amor que outrora escrevemos!


A. Carlos Kal-el

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

SE

Ah! Se eu já não te amasse;
Se por ti já não sofresse
Se te amando – não chorasse;
Se chorando – não pensasse...
Ah! Se eu de ti me esquecesse!!!

Se meu amor te perdesse,
E eu pra ti não ligasse!
Se a minha paixão morresse...
Ah! Se ela enegrecesse,
Pra que essa dor passasse!

Se meu corpo não quisesse,
E o meu peito não te ouvisse...
Se pra longe eu me pusesse
Por mais que você dissesse
Não dava, se eu não pedisse!!!

Se você não me iludisse
E o meu corpo não se desse;
E se eu nada sentisse...
Se eu de ti me abolisse
Com coragem (Se eu pudesse!!!)!

Se mudando – eu me zangasse
E, calado, me contesse;
Em te querer, me negasse...
A te chamar – me detesse !
Mas que bom se eu soubesse

Te deixar – Se me deixasse...
Se de volta eu me tivesse,
E de mim você partisse,
Pra que mal não me fizesse
E pra mim não mais mentisse!!!

A. Carlos

O AMOR É UMA VINGANÇA

Vendo o peito que só quer o impossível –
Sem ter hora e muito menos lugar –
Se percebe que o amor é definível:
Numa impossibilidade de amar;
Se aquele quer alguém de forma incrível –
Sem medir conseqüências por gostar –
Já que aceita enfrentar qualquer confronto
E quer, por mais que sofra, amar – E pronto!!!

É burro o coração que se apaixona;
E mais burro se amar a quem não deve –
Pois sofre como quem tem mãe na zona...
E se é leigo – sobre tudo que escreve –
Acredita no amor, e, se emociona
Ao ponto de ver chuva e crer que é neve;
Ao cúmulo de achar que terá sorte
De ter esse alguém, e o amar até a morte!!!

Não sabe esse inocente – que dois gumes –
Tem a faca do amor e da paixão...
E se de um lado brilham belos lumes
Do prazer, do desejo, da emoção;
Já do outro – no contraste dos costumes –
Tem a dor, a mágoa, e a ingratidão –
Numa eterna disputa por espaço,
Sempre onde o resultado é o fracasso!!!

Mas teima o coração em persistir
Na batalha, sempiterna, de querer
Disputar com a paixão e não cair;
Achando que vai conseguir vencer...
Crendo que pode nunca mais sentir
As dores de se amar e não poder
Ter do lado o seu bem a todo custo,
Voltando a acreditar que o amor é justo!!!

Mas te falo e asseguro – Coração –
Que por mais que aparente, não o é –
Não pode ser o amor esta emoção
Inofensiva que aceita o que vier –
Tampouco – desta vida a sua razão,
Ou alimento de homem e mulher...
É o amor somente uma vingança
Da alma contra o peito que não cansa!!!

A . Carlos

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

SAUDADE

Não sei!... Quem sabe pela vida inteira!
Essa falta – Esse vazio incomensurável e duradouro.
Pode ser que venha a doer para sempre –
Supondo-se que “sempre” é uma medida imprecisa,
Por onde tomar base para se supor alguma coisa?
Em se tratando de dor – qual escala é mais convencional?
A contagem das horas nas infinitas noites insones,
Ou os vincos de expressão na tez envelhecida pela espera?
Qual a maneira correta para se contar lágrimas,
Sendo que depois da primeira, tornam-se rios?
E de que forma pode-se medir as mágoas –
Se a última, das milhares ao longo da vida,
Não deixa de ser apenas a mera conseqüência da primeira?
O que é a SAUDADE? Algo medível?
Uma falta que se alimenta da ausência,
Ou um vazio de algo que nunca tivemos?
No meio do tormento, do desespero, a quem recorrer?
Diante de uma enxurrada de lembranças – onde se agarrar?
Como discernir o que é real das fantasias,
Quando se está resignado a recordações e devaneios?
A nostalgia acaba por pincelar de tons turvos e poéticos
O que no passado pode ter sido dor...!
Talvez até como recurso para melhor assimilação.
Por certo que uma doce lembrança,
Ao invés de uma recordação dolorida,
Define melhor o que é a saudade...

A VIDA SEM VOCÊ

Já não imaginava a vida sem você –
Vagamente me recordava de como era antes de nos conhecermos:
Uma falta de motivo, um desânimo – sei lá!
Aprendi a me acostumar com as suas manias
E a esquecer das minhas, que tanto te desagradavam...
Já não enxergava as coisas sob o meu olhar,
Era uma fixação de imaginar como você veria –
Eu precisava ver tudo sob o nosso ponto de vista;
Depois de tão acostumado a andarmos juntos,
Já não sabia como era galgar passos solitários...
Agora tive que reaprender o que é solidão!
A solidão de me pegar conversando com as suas fotografias,
E, numa esperança de te reencontrar,
Reler as suas cartas já tão envelhecidas pelo manuseio!
Vejo pelo meu corpo – marcas por ti deixadas –
Algumas externamente cicatrizadas –
Outras, internas, doloridas, que insistem em permanecerem abertas.
Como esquecer tudo???
Como apagar uma história de amor???
Ou reaprender a viver depois de você???
E no vazio, a única resposta é um estridente silêncio.
Depois de te amar, não me sobra espaço para novos amores;
E que triste confirmação:
Agora que te perdi, perdi a linha natural da continuidade...
Como prosseguir buscando algo, que não seja você???
Não há o que buscar... Apenas... Vazio... Silêncio...
Depois de escutar suas palavras de adeus,
Não sou capaz de ouvir mais nada!

VOLTANDO A VIVER

Concordemos: É a última vez que choro por você...
Já basta dos picos de desespero desenfreado,
Das atrocidades cometidas em nome desse amor;
Já chega de ser inconseqüente, e sempre te responsabilizar.
É chegado o momento de assumir a minha parcela de culpa, sim!
E admitir que erro – Não porque te amo muito –
Mas, certamente, porque não gosto nem um pouco de mim...
Basta dessa total despreocupação com o meu bem-estar,
Essa coisa nociva de alimentar o sofrimento,
Achando que isso me completa, me satisfaz.
Acabou essa afirmação doentia de aplaudir a tristeza
E, apologicamente, reiterar que ela sempre me faz bem!
Já chega de sofrer por tudo isso...
Já chega de lembrar das coisas que sempre me machucam
E sempre protelar aquelas que me trariam alegria.
É chegado o momento de viver a minha vida e esquecer a sua...
Pra ser sincero nunca gostei de determinadas coisas que te agradavam,
Contudo, fingia satisfação porque a minha opinião era o de menos!
Gosto de nicotina – mas diante da tua desaprovação,
Sempre que eu fumava escondido, me sentia um criminoso –
Tendo que me desinfetar pra não deixar vestígios...
Basta! Preciso reaprender a como gostar de mim;
Preciso retomar o caminho e redescobrir
Os traços da minha personalidade há tanto subserviente...
Necessito redescobrir outra vez quem sou...
Esquecendo aquele ser amargo que por sua causa me tornei.
Preciso desatrelar os meus batimentos das suas lembranças,
E a minha respiração, do gosto dos seus beijos...
Meus olhos precisam se esquecer dos seus carinhos,
Desvencilhando, da sua memória, as lágrimas que caem –
Por isso concordemos: É a última vez que choro por você!!!