quinta-feira, 13 de setembro de 2007

TUDO PASSA

Há muito ando contando os primeiros raios de sol.
Esse meu saudosismo nunca me deixa dormir...
Sempre tem alguma coisa me atrelando às lembranças!
Vejo a célere sucessividade dos acontecimentos
E, às vezes, me espanta a passagem dos anos,
A minha insistência em adquirir novos vícios,
Assim como a teimosia em conservar antigos...
Há muito neva nos meus cabelos
E as erosões se proliferam pela tonalidade da cútis –
No entanto, a senectude não me trouxe o dom de esquecer.
Os meses se sucedem nas folhas do calendário;
O tempo passa e o início começa a envelhecer –
Pode-se notar isso nas marcas contraídas.
Olho o horizonte e antevejo as respostas depois das colinas –
Mas estas, quando alcançadas, não me trazem soluções!
Então, começo a pensar que nada tem fim,
Que é uma rota viciosa que sempre termina no mesmo ponto...
E em meio aos pensamentos paranóicos
Vejo que não há nada que possa ser feito –
Ainda conservo hábitos herdados de nós,
Que são virtualmente impossíveis de olvidar...
O tempo, por certo, deve estar enganado –
Absolutamente – nem tudo continua...
Sou como o cachorro que caiu do caminhão de mudança:
Fica desnorteado, bitolado às velhas rotinas;
Ou como o velho que se apegou àquela roupa surrada,
Pois tudo passa e eu ainda ando pensando em você.
A. Carlos

Nenhum comentário: