terça-feira, 24 de junho de 2008

EU SEI QUE VOU TE AMAR

Eu não digo nada por dizer...
Tudo que falo tem uma razão, sentimento ou motivo,
O que me faz evitar frases de efeito
E jargões macanicistas que não representam, no fundo,
Aquilo que realmente pensamos: Aquilo que sou...!
Quando sinto, vivo aquilo que sinto,
O que me faz chorar, se me toca o peito,
Ou rir - Afinal, nem tudo são lágrimas!
Amo um dia por vez, e o todo por parcelas,
Pois o tempo já não conspira a meu favor;
E as horas voam, mas os detalhes engatinham.
Não posso dizer que te amo (É cedo!) --
Estimo, gosto, adoro... Sim, posso te adorar.
Não pela tua santidade - falta-te uma auréola -
Adoro-te pelo prazer da tua companhia,
Pelo teu jeito ranzinza que afasta a todos:
Todos aqueles que ainda não te conhecem.
No fundo és uma romântica incorrigível,
Que adora poesia e chora ao ler um romance açucarado.
A tua denguice me fascina...
Teu jeito carente de se perder no meu abraço.
Tão pequena... Tão frágil... Tão bonita...!
Tão sincera quando precisa falar a verdade,
E tão tímida, quando é exigida a se expressar!
Ainda não te amo. Sabes disso! Eu já disse: É cedo!
Mas tens tudo que procuro na mulher perfeita,
E te amar é apenas uma questão de tempo,
E tempo é tudo que tens: És jovem!
Posso não saber de tudo... Afinal de tudo ninguém sabe;
Mas uma coisa eu sei (são favas contadas)!
Podes apostar tudo que tens no que agora vaticino, pois,
EU SEI QUE VOU TE AMAR!

Antônio Carlos Kal-el

quinta-feira, 12 de junho de 2008

PAI

E partiu como um dia de sol antes da chuva.
Rápido, atemporal, célere como um enfarto inoportuno,
Deixando em seu lugar restos de lembranças
De dias viçosos como o florir da primavera.
De mim levou a esperança que eu já não tinha,
Espaço preenchido por uma amargura seca,
Uma vontade de amaldiçoar a Deus.
Por que não eu?
Por que machucar minha mãe, deixando-a sozinha?
Se tudo tem um propósito, eu queria entender:
Em que este mundo melhorou com sua partida?
Por que os bons morrem antes,
E os inúteis se perpetuam, se proliferam?
Que desejo egotista de cercar-Se dos justos,
Enquanto povoa a terra de sementes ruins!
Jardineiro censurável, que, ao invés de arrancar a erva,
Iracundo, ceifa apenas os bons frutos,
Deixando o jardim improdutivo
E os parentes tristes como as árvores no outono -
Galhos secos, desfolhados; erguidos ao céu
Como a rogar a volta da chuva,
Pra um jardim que há muito tornou-se deserto.
Acho que nunca vou entender por que tudo morre,
Embora saiba que a morte é parte do processo -
Uma premissa do jogo dialético que governa o sistema -
Ordem essa que prega que para que haja vida,
Algo, invariavelmente, tem sempre que morrer.

Antônio Carlos Kal-el