sábado, 13 de outubro de 2007

LEMBRANÇAS...

Em dias assim: LÍMPIDOS, de céu azulado,
Costumo me recordar que já contei com você,
Expondo minha fragilidade... Buscando seu amparo!
Hoje releio as cartas que te escrevi depois que morremos,
As mesmas cartas que nunca foram enviadas;
As mesmas frases ressabiosas e patéticas,
Que idealizavam um quadro que só eu sonhava:
Um monólogo, uma utopia particular - um sonho.
E se tudo realmente acabou, como dizem os fatos,--
Os versos de amor, guardados, esperando por mim --
O que fazer com tudo isso?
Onde posso derramar essa amargura?
Hoje, depois de nós, deixei de poesia...
Só não sei explicar as suas fotografias, aqui, presentes,
Distribuídas pelas paredes do meu quarto,
Com olhares inquisidores... Vigiando-me!!!
Como explicar minha fidelidade por ti, fantasma?
Depois de ti, deixei de crer em relações perfeitas,
Embora a nossa história nunca tenha sido um exemplo.
Amei os teus defeitos, como amou um anjo caído
A predisposição ao pecado de amar...
Amar o impossível, pois nunca tive você completamente.
Agora sou um programa que repete velhos hábitos;
Lembro e relembro alegrias que hoje me fazem chorar,
Sabendo que o que me machuca é a saudade:
Saudade de nós, embora nós já não exista,
E a minha realidade seja apenas um conjunto de lembranças...

A. Carlos Kal-el

DEPOIS DE VOCÊ

Depois de você, (sejamos sinceros) tenho que admitir:
As outras terão pouca importância...
Serão versos adornando um poema
Em que você foi a fonte de inspiração.
Depois de seus beijos, (detesto desagradar) confesso:
Os outros que darei, ainda que apaixonados,
Não terão mais sentido, ou mesmo razão;
Serão pétalas de carinho... nada mais,
Apenas completando a perfeição da flor --
Que nada mais é senão o símbolo da beleza.
Depois de te amar, esqueci as teorias que por anos estudei,
Pois não havia explicação pra tudo que eu sentia:
"Aquela vontade de viver e morrer ao mesmo tempo...".
Depois de você, parei de sonhar,
Pois os objetivos ficaram pequenos, insignificantes;
Eu já não acreditava na grandeza das coisas.
Sendo que nada se igualava a ti...
Depois de te ter, perdi a razão, o caminho de casa;
E agora vago sem rumo, proscrito,
Vivendo um dia após o outro, sem esperança,
Num desejo louco de que tudo acabe logo.
Depois de você, tudo mais que me resta, o que já era pouco,
Se reduziu a praticamente nada,
Pois nada é a soma do mundo sem você,
E esse montante não me satisfaz...
Depois de ter tudo, o infinito,
Não posso me contentar com migalhas!

A. Carlos Kal-el

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

LEMBRANÇAS DO AMOR

Saudade dos nossos tempos de amor...
Da tua decisão despachada que não media esforços,
Da tua coragem desproporcional -
Coragem de mudar o mundo.
Estou me sentindo sozinho sem os teus problemas,
Sem tua vida complicada, diante da minha: Diáfana!
Ainda choro ouvindo as nossa músicas;
Ainda deixo a porta aberta... te esperando...
Como se a vida não tivesse nos afastado,
E o nosso amor já não passasse de uma mera lembrança.
Cansei de te buscar em outras bocas...
Outros corpos jamais terão tuas curvas sibaritas;
Assim como, nunca mais encontrarei - Eu juro -
Outro alguém que possa me desafiar novamente.
Sinto saudade das tuas teorias sobre o amor,
Onde o amor era o que menos importava;
Tudo entre nós se definia por outras razões:
Era uma junção de pele com amor platônico...
Eu te amava, enquanto amava meus atos;
Tu me amavas, enquanto fugias dos meus toques,
Num jogo de gato e rato inconsequente,
Sendo que no final, sempre nos refestelávamos
No queijo proibido dos orgasmos compensadores.
Eu fui o primeiro a te dar prazer;
Tu foste a primeira a me amar de verdade, dizendo: "Não"!
Nós fomos os únicos que terminamos sozinhos...

A. Carlos Kal-el

APRENDER A CONFIAR

Às vezes estar-se assim, descrente: Vivendo por viver!
Sem maiores sonhos de amor... Alheio a fantasias...
Como se se entregar fosse dar um tiro no próprio pé:
Onde o amor perfeito se define num sonho inalcançável.
Não que a vida seja de toda incompleta;
Longe disso: Imaginar que tudo é desilusão!
A vida segue seu curso, ainda que se tente,
Paranóico, seguir num rumo diferente dos demais...
Mas ela continua, independente do que se faça.
É quando vem a vontade de meter a cara no trabalho:
"Fatigar o corpo, pra que o peito não ame!"
Fazer tudo superficialmente, sem nunca acreditar --
Passar pela vida sem saber o que é sofrer;
Pois sofrer denota humilhar-se, render-se...
Quando sofrer é viver, adaptar-se.
É preciso confiar em algo mais, que não em si mesmo,
Pois não se pode sobreviver, assim, isolado,
Como se o mundo fosse um mundo,
Fora da ilha que optamos por viver.
É preciso aprender a confiar na sorte,
Embora a sorte seja um sortilégio pouco confiável.
Jamais se encontra um grande amor pastorando o próprio umbigo;
Tudo que é completo, se completa além da unidade,
Pois apenas Deus é a unidade perfeita...
Nós? Somos imperfeitos... Carentes de compreensão,
Por isso precisamos aprender a confiar.
Quem sabe, talvez pela confiança venha o amor...

A. Carlos Kal-el

terça-feira, 9 de outubro de 2007

A MELHOR ROUPA

Hoje me vesti das saudades de nossos melhores dias,
Daquele saudosismo saudável que me alimenta a vida.
Vivo das lembranças suas, dos vestígios seus;
Daqueles que ficaram pelo meu corpo...
Os mesmo que nunca saíram do meu olhar.
Ainda vejo você vestindo as nossas fantasias,
Onde o que mais se destacava era o seu corpo nu:
Curvas suicidas que sempre me enlouqueciam,
E gestos desarticulados entre sussuros de satisfação!
Você foi a meu melhor traje de gala na festa do amor,
A mais perfeita roupa que vesti (enquanto me despia).
já não posso compor um convite pra felicidade;
Falta-me você e sua mania de sempre saber tudo.
Hoje, são trapos os dias nos quais respiro:
Uma falta de sentido, um quê de vazio...
Onde foram parar os ápices de esperança,
Agora que já não espero mais nada de glorioso?
É como se tudo se restringisse a remorsos,
E a vontade de continuar tivesse ido embora.
Esqueci o caminho de casa, do amor...
Vem, e me mostra como posso voltar a sorrir;
Volta, e me devolve aquela alegria que me definia.
Posso te assegurar que já não sou uma pessoa suportável!
Me tornei um chato, um ranzinza, um pessimista...
Um averso de tudo que te fez feliz;
Saudade, certamente!
Saudade dos tempos em que me vesti com você!

A. Carlos Kal-el

domingo, 7 de outubro de 2007

I N S Ô N I A

Eu sempre tive problemas pra dormir,
Mas nada que me fizesse trocar o dia pela noite –
Hábito agora rotineiro, depois que te perdi...
Fico acordado durante as noites, numa esperança vã,
De quem sabe, vir a te alcançar durante o sono,
Aproveitando-me do teu descanso
Pra diminuir a distância que nos separa,
Como se ainda pudéssemos dividir um sonho.
Passo as noites vendo tuas fotografias sorridentes,
Imaginando se elas pudessem conversar comigo,
E apaziguar essa saudade que me mata,
Numa notória demonstração esquizofrênica,
De que enlouqueci depois que me deixaste,
Ainda mais por saber que foi minha culpa.
Ao raiar dos dias, com os olhos ensangüentados,
Cumprimento os arrebóis, que me confirmam
Que a noite acabou, e o sono não veio,
Aumentando a contagem dos meses, já tão imensa,
Numa aritmética tirânica que soma sempre dor
À minha vida ociosa, sem teu corpo pra amar.
Com o tempo nos acostumamos às adversidades;
Hoje a insônia até me completa o teu vazio,
Pois é na madrugada que me sinto contigo –
Remoendo a saudade e falando com a tua ausência –
Buscando na minha culpa e no teu desprezo,
Um significado pra minha solidão,
Já que meu peito não dorme sem te ter por perto
E o meu amor hiberna, esperando que voltes pra mim.

A. Carlos Kal-el

sábado, 6 de outubro de 2007

FALTA VONTADE DE CONTINUAR!!!

E a nossa história chegou ao fim...
Agora só ouço os vultos de uma saudade duradoura –
Resquícios desbotados do nosso grande amor;
E tudo de mais palpável que me restou são essas manias.
Perdi a vontade de viver no exato momento
Que tua boca saiu do alcance dos meus olhos...
Vejo o vento que me traz notícias tuas –
As piores possíveis! Pois ele me afirma:
Que retomaste a vida, apesar da minha ausência.
Bate-me um desespero inconsolável,
Uma ânsia de querer arrancar do peito teus vestígios,
Como se eu pudesse apagar a felicidade vivida,
Pra reescrever que reaprendi a sorrir –
Quando me falta coragem até pra respirar.
Sinto um aperto me comprimir a alma
E um frio que só confirma minha solidão.
Perdi toda a esperança de continuar
Acreditando que os sonhos são possíveis...
Meu sonho se perdeu, quando me perdi do amor;
Ali, logo que me viraste as costas, dizendo adeus.
Hoje busco os microscópicos pedaços de uma fantasia
Que me alimentou a vida durante anos.
Tento reencontrar o caminho de casa,
Onde eu, tu e o amor, outrora residimos,
E que agora é uma casa fantasma:
-- Este meu coração, sem amor, desfalecido!!!

A. Carlos Kal-el

EMPEDERNIDO

Quem diria, que a essa altura da vida, o fim de um relacionamento
Fosse me abalar de forma tão profunda...
E que a solidão me fizesse sentir tanta falta dos teus afagos,
Ou que os seus defeitos me parecessem tão virtuosos!
Por que somente agora as tuas mentiras me são claras?
Que o veneno sorvias na minha saliva que explique tanto torpor?
Ah, contigo acabei todo o meu estoque de lágrimas...
Posso até dizer que não sou mais capaz de chorar por ninguém,
Tampouco, também, sou capaz de acreditar novamente --
Tu me roubaste aquela inocência que me desarmava;
Já não levo o peito aberto, e os cabelos ao vento,
Esperando encontrar apenas o que de melhor as pessoas têm --
Hoje a mágoa macula a minha boa-fé,
E atrás do gesto mais despretensioso,
Por tua causa, só vejo as traições que ele possa ocultar --
Perdi a capacidade de me surpreender:
Agora tudo tem um preço e um motivo...!
Não que antes não tivesse – é diferente –
Outrora eu me deixava levar pelas possibilidades –
No presente, já não vejo outras coisas,
Que não, a dor e o sofrimento que possam me causar
Qualquer mulher que se aproxime,
Tentando afagar as feridas incuráveis que me fizeste...
Quando poderei aplacar toda essa atonia?
Nunca! Não há como te eximir do meu fadário.
Eu sempre hei de lembrar do mal que me causaste!
Conseqüentemente toda mulher terá o teu rosto:
Toda dor terá a tua assinatura –
Como uma tatuagem cauterizada no meu coração.
Como não posso te esquecer,
Também não posso voltar a amar, seja quem for.
Resta-me apenas a dureza que me fez, de amável –
Agora – por tua causa, um eterno empedernido.

A. Carlos Kal-el

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

TEU OLHAR

Já não há dias claros com céu ensolarado,
Como aqueles que sempre povoaram teu olhar castanho.
Hoje tudo que restou foram visões pouco animadoras,
Onde a vida se desenha por nuvens acinzentadas
E o firmamento delimita que não há mais esperança!
Era através do teu olhar que eu podia ver o mundo,
Numa perspectiva otimista de que amar valia a pena.
Agora que me fechaste o horizonte –
Nunca mais verei as estrelas através dos teus olhos.
Por certo não há outra janela que me mostre o paraíso,
Que não o meu reflexo nos véus da tua alma;
Contudo morri, quando fui expulso do jardim naquela lágrima
Que choraste, ao comprovar o meu erro.
Não há nada no mundo que possa ser tão lindo
Quanto o teu olhar a espera de um beijo meu;
Nem visão mais inspiradora que se equipare
Ao brilho irradiado dos teus olhos durante um sorriso.
E na minha insensatez fui capaz de magoar tua alegria,
Tentando buscar em outros campos de visão,
A perspectiva que só pode ser vista por ti.
Jamais outra pessoa me verá tão solícito novamente,
Pois não pretendo me refletir no olhar de mais ninguém.
Perdi a capacidade de ver os sinais do amor
Quando o teu olhar apagou a minha imagem da lembrança –
Condenando-me à obscuridade da solidão,
Pois não existe outro olhar tão lindo quanto o teu.

A. Carlos Kal-el

POR QUANTO TEMPO?

Por quanto tempo se pode amar alguém?...
É natural que pensemos que pela vida inteira.
Mas os tempos são diferentes no que se refere ao amor...
Em princípio amamos de forma branda, cogitativa –
Supondo, ansiando – vendo apenas possibilidades –
Um amor platônico, não lascivo – totalmente sublime,
Onde nos contentamos com pequenas coisas,
Nos satisfazemos com o simples fato de estarmos amando.
Depois que conseguimos concretizar o sonho –
Aquele sentimento tênue toma formas possessivas –
Passamos a extrair toda a plenitude de uma cumplicidade
E já não nos alegramos com o individualismo, com a solidão;
Vivemos a felicidade plena – ou o que pensamos que seja ela!
Daí as coisas se fragmentam, inevitavelmente,
E por mais que não queiramos, nos tornamos amargos –
O que um dia fora complemento, agora não passa de mágoa...
Buscamos nos arrepender de coisas que nos fizeram felizes,
E, chegamos à conclusão que não sabíamos o que era felicidade!
Então, advém a pergunta que perdura:
“Não aprendemos nada com a experiência?”
“Nada!”... Pelo menos não no campo inexpugnável do amor –
Pois basta que já nos sintamos curados de um
Para, como tolos, inexperientes, comecemos tudo de novo,
Como se nunca na vida tivéssemos amado,
E, conseqüentemente, inevitavelmente, fatalmente: sofrido!

A. Carlos Kal-el

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

ABANDONADOS PELO AMOR

Remexendo em minhas memórias empoeiradas,
Incidentemente me deparei com os teus vestígios
E pude sentir meus antigos cortes entreabertos,
Com meus dedos, calejados, de tantos acionar o isqueiro.
Nessa angústia, não me importo com o róseo dos pulmões,
E fumo, tentando me acalmar na tua ausência.
Lembro as noites insones em que a dor me fez companhia,
E a saudade tiranizava o seu reinado.
Recordo-me dos nossos momentos de felicidade,
Onde formávamos um trio perfeito, dividindo um sonho.
Em que ponto da vida o amor nos deixou?
Onde foram parar todas aquelas promessas compartilhadas?
O que fazer agora, que somos órfãos da alegria?
Se fomos abandonados, até hoje não conheço o motivo;
Também sei que essa ruptura te fez mal,
Mas parece que sofro em escala multiplicada –
Como se a minha parte do amor fosse maior
E a tua parcela, algo já totalmente protelado.
Foi o amor que nos deixou, ou algo pior?
Não quero acreditar que foste tu que partiste,
Deixando eu e o amor: abandonados.

A. Carlos Kal-el

DE QUE ADIANTA?

De que adianta a minha declaração de amor...?
Você também já sofreu por amar alguém,
E ainda que eu queira unir as nossas dores,
Tentando apaziguar os nossos corações despedaçados,
É provável que você não compartilhe do mesmo interesse.
Então, de que adianta te querer em meus braços,
E te oferecer um porto bonançoso em que possa confiar,
Se você já fechou todas as portas pro amor
E as declarações que te oferto, apenas te pareçam:
Velhas frases que você já não deseja ouvir?
De que me vale escrever os poemas mais belos,
Se nunca vou conseguir romper as barreiras,
E alcançar a profundeza da sua confiança?
Sofrer por alguém deveria ser proibido –
Já que depois da dor, certamente, vem a indiferença!
De que adianta conseguir apenas alguns beijos,
Ou te fazer mulher, se você não se der, verdadeiramente,
Arriscando-se a me deixar entrar no seu coração?
De que adianta eu te achar linda e por ti suspirar –
Clamar por sua boca e a seus encantos me render,
Se não poderei ocupar um lugar de destaque,
E ser mais que apenas um corpo que te aquece?
De que importa eu te amar por toda a noite,
Se pela manhã não me vir refletido em seus olhos?
Um corpo sedutor que te arrebata,
Uma boca curiosa que te desbrava...
Quero ser mais que um mero item da listagem.
Ver o reflexo do que fui – no seu primeiro sorriso;
E a certeza do que sou – na sua última lágrima.

A. Carlos Kal-el

A SUCESSIVIDADE DAS COISAS

Às vezes, em raras ocasiões, acorda-se assim, de bom-humor –
Festejando-se o calor contagiante dos raios de sol
E a perspectiva fantasiosa da continuidade dessa alegria.
Tudo bem que até o fim do dia as coisas voltam à normalidade,
E esses momentos extasiantes servem pra maquiar o espírito.
Como não há um período sempiterno de extrema felicidade,
Onde a dor, às vezes, aparece só pra contrapor a perfeição –
Também não existe vivência intermitentemente tormentosa,
Que a alegria não visite, mostrando a disparidade das coisas,
Na sua empáfia – Nada é mais arrogante do que a alegria!
Pois se aquilo que é bom pode vir a deixar de ser,
O que é ruim, em contra partida, sempre pode piorar.
Tudo bem que não podemos basear tudo pela lei de Murphy,
Mas se uma coisa tem que dar errado – é certo que dará;
E, pro nosso desespero, sempre da pior forma possível...
Então, todas as vezes que nós somos pessimistas,
Negamos a possibilidade de que o bem nos aconteça?
Talvez! Mas assim evitamos a decepção por algo que não virá.
E sejamos sinceros: O otimismo se mostra deveras piegas.
Acabou-se o tempo de milagres – o que é bom já não acontece.
Precisamos aprender que, as coisas, dificilmente dão certo –
E se, por ventura, dão – é porque algo, certamente, deu errado.

A. Carlos Kal-el