Já não há dias claros com céu ensolarado,
Como aqueles que sempre povoaram teu olhar castanho.
Hoje tudo que restou foram visões pouco animadoras,
Onde a vida se desenha por nuvens acinzentadas
E o firmamento delimita que não há mais esperança!
Era através do teu olhar que eu podia ver o mundo,
Numa perspectiva otimista de que amar valia a pena.
Agora que me fechaste o horizonte –
Nunca mais verei as estrelas através dos teus olhos.
Por certo não há outra janela que me mostre o paraíso,
Que não o meu reflexo nos véus da tua alma;
Contudo morri, quando fui expulso do jardim naquela lágrima
Que choraste, ao comprovar o meu erro.
Não há nada no mundo que possa ser tão lindo
Quanto o teu olhar a espera de um beijo meu;
Nem visão mais inspiradora que se equipare
Ao brilho irradiado dos teus olhos durante um sorriso.
E na minha insensatez fui capaz de magoar tua alegria,
Tentando buscar em outros campos de visão,
A perspectiva que só pode ser vista por ti.
Jamais outra pessoa me verá tão solícito novamente,
Pois não pretendo me refletir no olhar de mais ninguém.
Perdi a capacidade de ver os sinais do amor
Quando o teu olhar apagou a minha imagem da lembrança –
Condenando-me à obscuridade da solidão,
Pois não existe outro olhar tão lindo quanto o teu.
A. Carlos Kal-el


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