domingo, 7 de outubro de 2007

I N S Ô N I A

Eu sempre tive problemas pra dormir,
Mas nada que me fizesse trocar o dia pela noite –
Hábito agora rotineiro, depois que te perdi...
Fico acordado durante as noites, numa esperança vã,
De quem sabe, vir a te alcançar durante o sono,
Aproveitando-me do teu descanso
Pra diminuir a distância que nos separa,
Como se ainda pudéssemos dividir um sonho.
Passo as noites vendo tuas fotografias sorridentes,
Imaginando se elas pudessem conversar comigo,
E apaziguar essa saudade que me mata,
Numa notória demonstração esquizofrênica,
De que enlouqueci depois que me deixaste,
Ainda mais por saber que foi minha culpa.
Ao raiar dos dias, com os olhos ensangüentados,
Cumprimento os arrebóis, que me confirmam
Que a noite acabou, e o sono não veio,
Aumentando a contagem dos meses, já tão imensa,
Numa aritmética tirânica que soma sempre dor
À minha vida ociosa, sem teu corpo pra amar.
Com o tempo nos acostumamos às adversidades;
Hoje a insônia até me completa o teu vazio,
Pois é na madrugada que me sinto contigo –
Remoendo a saudade e falando com a tua ausência –
Buscando na minha culpa e no teu desprezo,
Um significado pra minha solidão,
Já que meu peito não dorme sem te ter por perto
E o meu amor hiberna, esperando que voltes pra mim.

A. Carlos Kal-el

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