quinta-feira, 4 de outubro de 2007

A SUCESSIVIDADE DAS COISAS

Às vezes, em raras ocasiões, acorda-se assim, de bom-humor –
Festejando-se o calor contagiante dos raios de sol
E a perspectiva fantasiosa da continuidade dessa alegria.
Tudo bem que até o fim do dia as coisas voltam à normalidade,
E esses momentos extasiantes servem pra maquiar o espírito.
Como não há um período sempiterno de extrema felicidade,
Onde a dor, às vezes, aparece só pra contrapor a perfeição –
Também não existe vivência intermitentemente tormentosa,
Que a alegria não visite, mostrando a disparidade das coisas,
Na sua empáfia – Nada é mais arrogante do que a alegria!
Pois se aquilo que é bom pode vir a deixar de ser,
O que é ruim, em contra partida, sempre pode piorar.
Tudo bem que não podemos basear tudo pela lei de Murphy,
Mas se uma coisa tem que dar errado – é certo que dará;
E, pro nosso desespero, sempre da pior forma possível...
Então, todas as vezes que nós somos pessimistas,
Negamos a possibilidade de que o bem nos aconteça?
Talvez! Mas assim evitamos a decepção por algo que não virá.
E sejamos sinceros: O otimismo se mostra deveras piegas.
Acabou-se o tempo de milagres – o que é bom já não acontece.
Precisamos aprender que, as coisas, dificilmente dão certo –
E se, por ventura, dão – é porque algo, certamente, deu errado.

A. Carlos Kal-el

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