quinta-feira, 4 de outubro de 2007

DE QUE ADIANTA?

De que adianta a minha declaração de amor...?
Você também já sofreu por amar alguém,
E ainda que eu queira unir as nossas dores,
Tentando apaziguar os nossos corações despedaçados,
É provável que você não compartilhe do mesmo interesse.
Então, de que adianta te querer em meus braços,
E te oferecer um porto bonançoso em que possa confiar,
Se você já fechou todas as portas pro amor
E as declarações que te oferto, apenas te pareçam:
Velhas frases que você já não deseja ouvir?
De que me vale escrever os poemas mais belos,
Se nunca vou conseguir romper as barreiras,
E alcançar a profundeza da sua confiança?
Sofrer por alguém deveria ser proibido –
Já que depois da dor, certamente, vem a indiferença!
De que adianta conseguir apenas alguns beijos,
Ou te fazer mulher, se você não se der, verdadeiramente,
Arriscando-se a me deixar entrar no seu coração?
De que adianta eu te achar linda e por ti suspirar –
Clamar por sua boca e a seus encantos me render,
Se não poderei ocupar um lugar de destaque,
E ser mais que apenas um corpo que te aquece?
De que importa eu te amar por toda a noite,
Se pela manhã não me vir refletido em seus olhos?
Um corpo sedutor que te arrebata,
Uma boca curiosa que te desbrava...
Quero ser mais que um mero item da listagem.
Ver o reflexo do que fui – no seu primeiro sorriso;
E a certeza do que sou – na sua última lágrima.

A. Carlos Kal-el

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