Daquele saudosismo saudável que me alimenta a vida.
Vivo das lembranças suas, dos vestígios seus;
Daqueles que ficaram pelo meu corpo...
Os mesmo que nunca saíram do meu olhar.
Ainda vejo você vestindo as nossas fantasias,
Onde o que mais se destacava era o seu corpo nu:
Curvas suicidas que sempre me enlouqueciam,
E gestos desarticulados entre sussuros de satisfação!
Você foi a meu melhor traje de gala na festa do amor,
A mais perfeita roupa que vesti (enquanto me despia).
já não posso compor um convite pra felicidade;
Falta-me você e sua mania de sempre saber tudo.
Hoje, são trapos os dias nos quais respiro:
Uma falta de sentido, um quê de vazio...
Onde foram parar os ápices de esperança,
Agora que já não espero mais nada de glorioso?
É como se tudo se restringisse a remorsos,
E a vontade de continuar tivesse ido embora.
Esqueci o caminho de casa, do amor...
Vem, e me mostra como posso voltar a sorrir;
Volta, e me devolve aquela alegria que me definia.
Posso te assegurar que já não sou uma pessoa suportável!
Me tornei um chato, um ranzinza, um pessimista...
Um averso de tudo que te fez feliz;
Saudade, certamente!
Saudade dos tempos em que me vesti com você!
A. Carlos Kal-el


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