Costumo me recordar que já contei com você,
Expondo minha fragilidade... Buscando seu amparo!
Hoje releio as cartas que te escrevi depois que morremos,
As mesmas cartas que nunca foram enviadas;
As mesmas frases ressabiosas e patéticas,
Que idealizavam um quadro que só eu sonhava:
Um monólogo, uma utopia particular - um sonho.
E se tudo realmente acabou, como dizem os fatos,--
Os versos de amor, guardados, esperando por mim --
O que fazer com tudo isso?
Onde posso derramar essa amargura?
Hoje, depois de nós, deixei de poesia...
Só não sei explicar as suas fotografias, aqui, presentes,
Distribuídas pelas paredes do meu quarto,
Com olhares inquisidores... Vigiando-me!!!
Como explicar minha fidelidade por ti, fantasma?
Depois de ti, deixei de crer em relações perfeitas,
Embora a nossa história nunca tenha sido um exemplo.
Amei os teus defeitos, como amou um anjo caído
A predisposição ao pecado de amar...
Amar o impossível, pois nunca tive você completamente.
Agora sou um programa que repete velhos hábitos;
Lembro e relembro alegrias que hoje me fazem chorar,
Sabendo que o que me machuca é a saudade:
Saudade de nós, embora nós já não exista,
E a minha realidade seja apenas um conjunto de lembranças...
A. Carlos Kal-el


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