É natural que pensemos que pela vida inteira.
Mas os tempos são diferentes no que se refere ao amor...
Em princípio amamos de forma branda, cogitativa –
Supondo, ansiando – vendo apenas possibilidades –
Um amor platônico, não lascivo – totalmente sublime,
Onde nos contentamos com pequenas coisas,
Nos satisfazemos com o simples fato de estarmos amando.
Depois que conseguimos concretizar o sonho –
Aquele sentimento tênue toma formas possessivas –
Passamos a extrair toda a plenitude de uma cumplicidade
E já não nos alegramos com o individualismo, com a solidão;
Vivemos a felicidade plena – ou o que pensamos que seja ela!
Daí as coisas se fragmentam, inevitavelmente,
E por mais que não queiramos, nos tornamos amargos –
O que um dia fora complemento, agora não passa de mágoa...
Buscamos nos arrepender de coisas que nos fizeram felizes,
E, chegamos à conclusão que não sabíamos o que era felicidade!
Então, advém a pergunta que perdura:
“Não aprendemos nada com a experiência?”
“Nada!”... Pelo menos não no campo inexpugnável do amor –
Pois basta que já nos sintamos curados de um
Para, como tolos, inexperientes, comecemos tudo de novo,
Como se nunca na vida tivéssemos amado,
E, conseqüentemente, inevitavelmente, fatalmente: sofrido!
A. Carlos Kal-el


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