Incidentemente me deparei com os teus vestígios
E pude sentir meus antigos cortes entreabertos,
Com meus dedos, calejados, de tantos acionar o isqueiro.
Nessa angústia, não me importo com o róseo dos pulmões,
E fumo, tentando me acalmar na tua ausência.
Lembro as noites insones em que a dor me fez companhia,
E a saudade tiranizava o seu reinado.
Recordo-me dos nossos momentos de felicidade,
Onde formávamos um trio perfeito, dividindo um sonho.
Em que ponto da vida o amor nos deixou?
Onde foram parar todas aquelas promessas compartilhadas?
O que fazer agora, que somos órfãos da alegria?
Se fomos abandonados, até hoje não conheço o motivo;
Também sei que essa ruptura te fez mal,
Mas parece que sofro em escala multiplicada –
Como se a minha parte do amor fosse maior
E a tua parcela, algo já totalmente protelado.
Foi o amor que nos deixou, ou algo pior?
Não quero acreditar que foste tu que partiste,
Deixando eu e o amor: abandonados.
A. Carlos Kal-el


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