Madrugada. Baldada a tentativa,
Do que carece qualquer alma viva...
O sono, esse maldito companheiro,
Não veio visitar o meu recinto.
No abrasamento que dos olhos sinto –
Vejo o futuro negro e derradeiro!!!
Entre tantos pensamentos absortos –
Desde a imortalidade a seres mortos –
Num lapso (não consigo mais pensar);
E olhando o forro hermético do quarto,
Do surto claustrofóbico me aparto,
E uma porta abro, pra respirar!
De joelhos, sob a lua, desvairado,
Inspirando, ofegante, o ar do prado –
Trôpego, mas liberto da prisão,
Lembro, louco, que achava estar detido
Num lugar totalmente comprimido;
Um baú, semelhante a um caixão!
Exaurindo, com os bofes aos estalos;
De repente ouço o trote de cavalos –
Quando olho, já não vejo mais saída...
Sob os capuzes estão quatro branquelos
Segurando, em suas mãos, negros cutelos.
Afiados por ceifar a minha vida!!!
De repente, ao batuque das zabumbas,
Já me vejo ao redor de muitas tumbas
Com pessoas que vagam ao desterro...
No compasso dos badalos de um sino,
Vejo entes queridos, e, vaticino
Que estou acompanhando o meu enterro!
Num frêmito surto de insensatez,
Meto todos os dedos de uma vez
Na retângula gélida cerâmica,
Tentando libertar a minha imagem
Da diáfana base sem passagem,
Sob os joelhos, numa ação dinâmica!
Do lapso de segundo em que vacilo:
Ergo os olhos – Estou na orla do Nilo!
Embevecido... Tão ébrio de absinto,
Vejo meu corpo dentro dum sarcófago –
Devorado por “besouro antropófago”...
E ao ver a cena me sinto faminto!
Silêncio sepulcral... Sinto o marasmo
E do transe desperto, num espasmo...
Do meu corpo malsão, debilitado –
Suado qual um porco, lembro as estórias:
Seriam verdadeiras? Ilusórias?
Ou dormi, pra com elas ter sonhado???
Do que carece qualquer alma viva...
O sono, esse maldito companheiro,
Não veio visitar o meu recinto.
No abrasamento que dos olhos sinto –
Vejo o futuro negro e derradeiro!!!
Entre tantos pensamentos absortos –
Desde a imortalidade a seres mortos –
Num lapso (não consigo mais pensar);
E olhando o forro hermético do quarto,
Do surto claustrofóbico me aparto,
E uma porta abro, pra respirar!
De joelhos, sob a lua, desvairado,
Inspirando, ofegante, o ar do prado –
Trôpego, mas liberto da prisão,
Lembro, louco, que achava estar detido
Num lugar totalmente comprimido;
Um baú, semelhante a um caixão!
Exaurindo, com os bofes aos estalos;
De repente ouço o trote de cavalos –
Quando olho, já não vejo mais saída...
Sob os capuzes estão quatro branquelos
Segurando, em suas mãos, negros cutelos.
Afiados por ceifar a minha vida!!!
De repente, ao batuque das zabumbas,
Já me vejo ao redor de muitas tumbas
Com pessoas que vagam ao desterro...
No compasso dos badalos de um sino,
Vejo entes queridos, e, vaticino
Que estou acompanhando o meu enterro!
Num frêmito surto de insensatez,
Meto todos os dedos de uma vez
Na retângula gélida cerâmica,
Tentando libertar a minha imagem
Da diáfana base sem passagem,
Sob os joelhos, numa ação dinâmica!
Do lapso de segundo em que vacilo:
Ergo os olhos – Estou na orla do Nilo!
Embevecido... Tão ébrio de absinto,
Vejo meu corpo dentro dum sarcófago –
Devorado por “besouro antropófago”...
E ao ver a cena me sinto faminto!
Silêncio sepulcral... Sinto o marasmo
E do transe desperto, num espasmo...
Do meu corpo malsão, debilitado –
Suado qual um porco, lembro as estórias:
Seriam verdadeiras? Ilusórias?
Ou dormi, pra com elas ter sonhado???
Antônio Carlos Kal-el

