sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

INCOERCÍVEL

Todas as vezes que tentei te entender,
Sempre me deparei com as mesmas incertezas,
Como se a minha impressão a teu respeito
Se restringisse a um caminho sem volta...
Contigo sempre me senti como uma estrela perdida
Diante do buraco negro da tua arrogância,
Que invariavelmente me roubava a luz,
Por mais que eu tentasse fulgurar!!!
Todas as tentativas que fiz de te alcançar,
Sempre me levaram a becos sem saídas,
Onde eu me via diante de portas fechadas
E cicatrizes doloridas e incuráveis!
Contigo aprendi a perder o sono
E a decifrar bulas e comprimidos --
Essas companhias de todo fim de noite.
Tu me roubaste mais do que só a paz,
A saúde, a gana, ou outros impropérios;
Roubaste-me a possibilidade de ser.
Das atitudes descabidas de pária que desenvolvi,
Quase todas levam a tua assinatura...
À exceção de algumas: Próprias do meu cunho!
Há muito deixei de crer nas pessoas,
Embora eu ainda faça parte desse rol;
Rol onde não me deste chance de me mostrar,
Pois o amor era um palco pequeno demais pra nós.
Há muito deixei de te amar desesperadamente.
Isso não quer dizer que eu tenha esquecido,
Pois os erros são mais marcantes e lenitivos
E o amor só sobregarrega o pâncreas,
Ainda que vicie o alma...
E eu nunca fui de negar o meu instinto incoercível.

Antônio Carlos Kal-el

Nenhum comentário: