Bem naqueles momentos em que todos dormem;
São gritos e sussurros que não me deixam só,
E não há nada tão ensurdecedor quanto o silêncio,
Quando as companhias já se foram
E os fantasmas armaram acampamento.
O saldo de guerra após o término do amor
São as lembranças que insistem em permanecer,
Pois não há nada que possa afugentá-las;
E se existe algo que nunca nos deixa
São as recordações de antigos pecados:
Provas cabais dos males que praticamos.
Nos momentos de desespero, a maior dor,
São as lembranças da alegria de outrora,
Que ficam retumbando dentro do peito...
Atestando que um dia já sorrimos.
Nas horas de amargura percebemos
Que os sorrisos abundantes no passado,
Já não vagam livremente como antes:
Estão atarraxados pela ferrugem!
As cicatrizes imperam pelo meu corpo,
Mesmo na minha pele de paquiderme,
Que já não pode sentir o assovio do vento.
Muitas assombrações me fazem companhia...
Um turbilhão de vozes estridentes,
Gritando em meu ouvido de instante em instante:
"Não existe a paz quando se prova do amor."
É. Depois de amar ficamos assombrados...!
Antônio Carlos Kal-el


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