sábado, 5 de julho de 2008

QUANDO PODÍAMOS TUDO

Vim te cobrar a promessa que nunca fizemos
De que um dia nós seríamos três...
Resquícios de um tempo em que podíamos tudo:
Fazendo amor de brigas torrenciais
E diamantes de fragmentos de vidro!
Às vezes parecia que, de tanto acreditar,
Nossas ilusões podiam ser reais,
Como aquelas cicatrizes calejadas,
Ou o pote de lágrimas comunitário,
Que enchíamos até a borda...
E mutuamente aceitávamos desculpas;
Mas desculpas nem sempre são sinceras,
Como sinceras não eram tuas ofensas,
Tampouco as tuas juras de amor eterno,
Que sussurravas entre um orgasmo e outro!
Eu quis te contar meus segredos inconfessáveis,
Mas eu temi que pudesses usá-los contra mim,
Num daqueles teus rompantes inconseqüentes,
Quando não medias o poder das palavras,
Muito menos o simbolismo de uma traição.
Guardo ainda teus segredos mais sinceros:
Teu medo de ter medo de ter medo,
Sabendo que tinhas o poder do cavalo a vapor
E ainda assim insistias em andar a pé.
Tinhas tanto a oferecer,
Mas teimavas em mendigar parcialidades...
Antônio Carlos Kal-el

S E M P R E

Ando a procura de respostas,
Sedento de saber um pouco de tudo.
Se chego ao lago do conhecimento, digo:
"Dai-me de beber, que tenho uma sede sem fim."
Tenho um desejo exibicionista de ensinar
E pouca paciência pra aprender.
Sempre fingimos ter calma com aqueles
Que vivem de nos contar histórias repetidas;
Assim, nunca somos sinceros,
Alegando que a sinceridade fere.
Mas a verdade é o exercício da coragem,
E a mentira, um telhado de vidro;
Não jogue pedras na minha casa
Que prometo não te fazer perguntas difíceis.
Tento melhorar, dizendo que estou bem...
Mas já não sei se só isso me satisfaz!
Ah, quando tu estavas comigo
Eu acho que gostava mais de mim mesmo.
É estranho como sempre nos reinventamos,
Embora eu sempre faça de mim cópias defeituosas.
Agora, só por hoje, eu não quero me esquecer
Que pareço perdido, mas sei exatamente onde estou,
E que do amor tenho a falta que me deixaste.
É duro não ter o que ouvir,
Não se ter a quem amar...
Depois de nós, aprendi a SEMPRE pedir perdão!
Antônio Carlos Kal-el