sábado, 5 de julho de 2008

QUANDO PODÍAMOS TUDO

Vim te cobrar a promessa que nunca fizemos
De que um dia nós seríamos três...
Resquícios de um tempo em que podíamos tudo:
Fazendo amor de brigas torrenciais
E diamantes de fragmentos de vidro!
Às vezes parecia que, de tanto acreditar,
Nossas ilusões podiam ser reais,
Como aquelas cicatrizes calejadas,
Ou o pote de lágrimas comunitário,
Que enchíamos até a borda...
E mutuamente aceitávamos desculpas;
Mas desculpas nem sempre são sinceras,
Como sinceras não eram tuas ofensas,
Tampouco as tuas juras de amor eterno,
Que sussurravas entre um orgasmo e outro!
Eu quis te contar meus segredos inconfessáveis,
Mas eu temi que pudesses usá-los contra mim,
Num daqueles teus rompantes inconseqüentes,
Quando não medias o poder das palavras,
Muito menos o simbolismo de uma traição.
Guardo ainda teus segredos mais sinceros:
Teu medo de ter medo de ter medo,
Sabendo que tinhas o poder do cavalo a vapor
E ainda assim insistias em andar a pé.
Tinhas tanto a oferecer,
Mas teimavas em mendigar parcialidades...
Antônio Carlos Kal-el

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