terça-feira, 18 de novembro de 2008

HÁ TEMPOS

Hoje sobrevivo das lembranças que você deixou...
Carrego vestígios, sestros, manias que aprendi contigo.
Há tempos que espero um dia de sol,
Mas tudo são sombras, rastros apagados,
E as pessoas são vultos descrentes, fantasmas,
Que vagam por aí ermos, a esmo, perdidos;
Alguns à procura de luz, (otimistas),
Outros que, como eu, há muito deixaram a claridade,
Andam a deriva em busca dos mortos.
Depois que você me deixou,
As cores perderam brilho, se acinzentaram;
Os dias não aumentaram, nem diminuíram:
Deixaram de existir, pois perdi a noção de tempo.
Dia e noite é tudo o mesmo intervalo de espera.
Já não reconheço os arrebóis,
Tampouco enxergo as estrelas.
Passo um dia após o outro, numa contagem mecânica,
De comer o que não tem gosto,
Amar o que não tem forma,
Buscar o que os outros dizem
E respirar sem querer, pois é parte do instinto,
Não depende da minha vontade.
Se dependesse, eu iria preferir morrer,
Ou, pelo menos, deixar de te amar.
Antônio Carlos Kal-el

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