Onde a ordem natural das coisas foi subvertida
E o bem e outras virtudes de caráter,
Já não trazem a devida compensação
A quem se aventure em praticá-las.
Foi-se o tempo romântico dos pequenos pecados.
Hoje impera as disparidades faraônicas,
Os rotineiros desvios de conduta,
As constantes mudanças de identidade,
A total perda de idiossincrasia!
Já não somos um, como outrora.
Pior. Somos uma legião...
Muitos senhores se alternando, ao bel-prazer,
No controle de uma máquina sem controle.
Houve um tempo em que os anjos caíam;
Embora o paralelo não se justifique,
Levando-se em conta tamanha a distância
Que nos separa do divino...
Nós... "pecados"... apenas rolamos e rolamos...
Já que não podemos cair mais.
Rolamos na lama como porcos no cio,
Conspurcando tudo que tocamos.
São sinais dos tempos modernos,
Tempos de agora. Hoje que perdemos a fé.
É uma pena não ser mais tempo de milagres;
Se fosse, eu poderia modificar antigos vícios,
E evitar de cometer gravíssimos erros.
Antônio Carlos Kal-el


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