Contudo,invariavelmente,sou remetido a lembranças doloridas–
Como se toda a nossa história tivesse se resignado a dor!!!
Mentalmente argumento com verdades irrefutáveis;
E como que sabatinado por todas elas,
Acabo me convencendo da realidade das questões a mim interpeladas...
Teria sido toda a nossa história uma ilusão?
Tola quimera tão tênue como as promessas de amor?
Fantasias da percepção de um intelecto débil e volúvel?
Não pode tudo ter sido simplesmente fantasia...
Como explicar as lágrimas, as cicatrizes, as noites insones?
Ou aquele lirismo piegas existente apenas naqueles momentos pós-orgasmos?
Custa-me crer que eu tenha criado tudo isso em minha mente,
Que eu tenha projetado este amor a ponto de te personificar.
Não! Você existe, ainda que não esteja ao meu alcance!
Ainda que se mantenha indiferente ao meu sentimento,
Carregando, nas suas lembranças, memórias minhas;
Recordações de um amor que marcou minha vida
E que pra ti não passou de uma aventura –
Uma daquelas loucuras que, depois de vivida,
Deve ser, do coração, postergada, por ser suja!
Mas os segredos compartilhados entre quatro paredes,
Esses não podem ser enterrados...
Aquelas loucuras de amor que um dia vivemos,
Hão de permanecer em nossas vidas para sempre,
E ainda que queiramos apagá-las, esquecê-las,
Permanecerão límpidas como cristais inquebrantáveis,
Pois têm o amor como sua maior testemunha.
Aquelas confidências que dividimos sobre uma cama
São fadadas a se fazerem eternas.
São como verdades incontestáveis tatuadas na alma –
Se acaso tentamos delas nos ocultarmos,
Retornam como fantasmas assombrosos,
Para na calada da noite nos afugentar o sono.
A. Carlos


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