Eu não quero ser mais um daqueles saudosistas incuráveis,
Que ficam fantasiando volta daquele amor que há muito se acabou...
Tampouco quero me tornar um poeta caduco, ressentido,
Que não consegue se expressar – se não por lembranças ressabidas.
Há outras coisas além do remorso pelos erros cometidos.
Em algum lugar das minhas experiências eu devo ter sido feliz;
O que me leva a acreditar que ainda posso reencontrar o caminho,
E voltar a sentir espasmos de alegria, despetalando flores...
O ruim dos enterros amorosos é a perda da fé,
Onde a pieguice mostra a sua face mais ridícula
E o tempo parece arrastar-se mais que o necessário,
Afugentando a coragem do reaprender-se a amar.
Então tudo o que foi amor se mostra infortúnio...
Onde houve frenesi, há de restar apenas arrependimentos.
Se, o purgar-se nos torna humanos, pecadores;
O ausentar-se dos verdores da vida, certamente nos enclausura.
E todo vate arrependido, por certo, deve ter amado, pecado.
Não há poeta que escreva, com convicção, sobre o que não viveu –
Nem filósofo, incrédulo, que difunda o abstrato...
Viver é preciso – Errar é necessário!
Amar é um ato irrefutável, posto que perdoável.
Abster-se, porém, nada mais é que covardia.
Sendo que todos as máscaras hão de cair um dia,
De nada adianta dissimularmos o inverossímil:
Num dado ponto da vida há de surgir o álibi inquebrantável do amor.
É quando os incrédulos hão de acreditar
E os fanáticos, reverberar...
E, os poetas, enaltecidos, ratificar que nada é mais importante,
Que o simples fato de amar incondicionalmente...
Que eu seja parte dos bem-aventurados que hão de ver,
Apesar de as dores de agora.
sábado, 15 de setembro de 2007
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