quinta-feira, 6 de setembro de 2007

CARTAS DE AMOR

Hoje me deparei com velhas promessas de amor eterno,
Quando reli remotas cartas empoeiradas pelos anos...
Quase voltei a acreditar que o amor existe!
Ainda que superficialmente, revivi esquecidas dores;
Aqueles textos repletos de uma certeza infundada,
Povoados de incontáveis adjetivos, supostamente compartilhados,
Manchados pela pureza ilusória de que tudo acabaria bem...
Mas eram apenas cartas de amor!!!
Declarações despretensiosas de um coração dopado de amor.
Por mais piegas que possam parecer,
Os folhetins amorosos merecem respeito –
Quiçá uma biblioteca exclusiva dos mais memoráveis;
Melhor: uma home page itinerante,
Já que estamos nos tempos do ponto com...!!!
Cartas de amor são idênticas a bilhetes suicidas:
MERAS JUSTIFICATIVAS!!!
“... Justifico, para os devidos fins que se fizerem necessário,
Que por te amar demais não sei viver sem você,
E que as suas palavras cruéis de rompimento,
Representam a bala me perfurando as têmporas!”
Viver e morrer por amor...
Por mais paradoxal que possa parecer,
A vida segue os roteiros das cartas amorosas:
– No começo tudo são louros, alegrias;
Acreditamos na pureza das coisas.
Depois as dúvidas começam a aparecer, acinzentando as glórias –
Contudo – ainda há esperança e, solícitos, camuflamos os ressábios.
Mas no final tudo se fragmenta em dores e mágoas!
Assim o contexto da vida se completa, se confirma...
Dos relatos de amores febris: Lívidas cartas comprometedoras!
E agora, quando tudo se resigna a descrença,
Remexemos em velhos baús, procurando
Aquelas antigas cartas de amor que outrora escrevemos!


A. Carlos Kal-el

Nenhum comentário: