quarta-feira, 15 de julho de 2009

VELAS E FLORES

Quem chorará no meu velório quando eu partir?

Ou dirá a todos os presentes, consternado:

— “Se muito não fez, ao menos amou demais!?”

Quem, sobre meu féretro, recitará meus poemas?

Pois se não fui bom poeta, vivi de poesia...

Escrevi sobre tudo — sobretudo o amor!

O mesmo amor que me roubou os dias de glória!

Quem bradará aos quatro ventos que mereci uma nota,

Mesmo jamais tendo sido notado... ?

Diante do me esquife, quem lembrará os meus atos,

Atribuindo-me as bondades que fiz,

Enquanto acinzenta os meus maus passos?

Digam que fui menestrel, daqueles que cantam em púlpitos!

Quem me negará os louros depois da morte,

E dirá que não fui poeta em tempos de pouca poesia?

Quem porá flores no meu ataúde no dia sem sol,

E acenderá velas cinéreas em prol da minha ida?

Sim! Morreram os grandes vates. Calou-se a inspiração!

Que aqueles que ficam, escrevam no meu epitáfio:

Buscou a poesia acima de tudo até o fim!

Antonio Carlos Kal-el

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