quarta-feira, 15 de julho de 2009

JOVENS TEMPOS

Lembranças daqueles jovens tempos de alegria,

Quando o futuro era uma incerteza

E o presente não se fazia com dor;

Embora adormecêssemos com medo do amanhã,

Sempre acordávamos sorrindo do ontem.

As paixões floriam com as cores da estação,

Os erros sempre pareciam jovens demais:

Pois continuamente havia espaço para reparações!

Hoje eu te amava incondicionalmente;

Amanhã tua falta não me fazia tanta falta.

Foi-se a vontade de envelhecer,

Ficou o arrependimento de não ter usufruído mais.

Quero passar o tempo sem o peso da neve nos cabelos,

Quero olhar o fim da tarde sem medo do amanhecer.

O amanhã chegou e não trouxe tenras novidades,

O que veio foram as seqüelas inevitáveis da cronologia:

Dias cinzas, momentos ocres, horas retorcidas

Tempos razoáveis, que nada mais são, vaticino,

Que sombras das eras ensolaradas e jovens.

Envelheci. Foi-se a vontade de sonhar.

De tudo resta um arquivo perene que não envelhece:

As minhas lembranças meu reduto de bons tempos.

Antonio Carlos Kal-el

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