Há muito estou esperando amanhecer...
Depois da última noite de chuva,
Eu perdi o medo dos clarões que rasgam os céus,
Ficou apenas o medo do silêncio;
Agora preciso me acostumar com esses olhos,
Olhos insanos que insistem em me vigiar,
Antevendo, talvez, os meus planos fatídicos.
As coisas já aconteceram com certa simetria,
Hoje os rasgos de tempo, são tão atemporais:
Uma mágoa, depois um sorriso, após um tempo,
Outra dor, e mais uma, e outra, somente, então, um alento
E a certeza de que perdemos na soma dos males,
Ao mesmo tempo em que nos desacostumamos do bem.
Agora estou cansado de buscar explicações,
Do porquê de tudo, de como fiquei assim...
Vejo resquícios do que já foi perfeito —
A lembrança do silêncio daqueles dias,
A vergonha diante do espelho por aquelas marcas;
E hoje tenho medo até do meu olhar,
Que junto com minha mão, amarga tudo que sente.
Foi-se o tempo em que eu via tudo acontecer —
Fechei meus olhos... Parei de tocar minhas alegrias...
Às vezes peço a Ele que vá embora,
Pois preciso ficar sozinho pra chorar até que amanheça.
Antônio Carlos Kal-el
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
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Um comentário:
senti o gosto de cada palavra ^^
e foi um sabor bem familiar...
continue postando, esse post é de dezembro !
comente no meu tbm, se tiver tempoo
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