Vamos, confesse! Eu posso fazer...
Não é porque você não me queira mais
Que vou deixar de ouvir seus lamentos!
Nossa simbiose em muito te beneficia,
Posto que você não sabe viver sozinha,
E eu sou solícito o bastante, admito,
Pra engolir meu orgulho e te amparar,
Sempre que você necessitar,
Embora sempre esbraveje que nunca precisa.
Você é uma criança crescida,
Condicionada em rotinas convenientes,
Comportamentos remissivos, atávicos;
Diz que não mais me quer,
Não porque não mais me queira propriamente,
Mas porque é parte do seu jogo,
De sua dissimulação egotista...
Você e esse eterno jogo de gato e rato,
Onde não há vencedor, apenas vencidos.
Insulta-me pra inflar o seu ego mesquinho,
Mas quando está sozinha, chora a minha ausência,
Pois sou parte de sua vida,
Quiçá a mais importante.
E não há teatro que me convença
Que você deixou de me amar loucamente!
Antônio Carlos Kal-el


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