sábado, 15 de março de 2008

A PARTILHA

Amei você, terra inexpugnável!
Horizonte aonde o sol chega por vezes;
E te esperei, ainda que não fosse confiável,
Dando-te minha vida: Tudo que eu tinha!
E se o amor existe -- É o som do afago,
O silêncio do seu suspiro no orgasmo...
O meu amparo é minha vontade de amar;
Essa coisa de querer morrer incessantemente,
Ao passo que viver é um tormento
E continuar, é repisar antigas mágoas.
Espero que nunca revele nossos segredos,
Nem divida com outro, leviana,
Antigos sonhos que já partilhamos.
Quero de volta a parte que me cabe
No latifúndio que foi a nossa história,
E que agora é campo improdutível,
Onde só reina o reles saudosismo.
Já dividimos os bens participáveis.
A ti couberam as lembranças benéficas --
A melhor parte desse quinhão!
Levo as cicatrizes, os ressábios, o bolor --
Tudo de pior que ficou de nós dois...
Levo, porém, algo que você nunca terá:
A certeza que fiz de tudo pra dar certo,
E que, se não deu, foi por covardia sua.
Essa culpa fica contigo. Obrigado!
Antônio Carlos Kal-el

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