sábado, 12 de janeiro de 2008

EM BUSCA DE UM DIA DE SOL

Hoje o dia amanheceu chorando...

As nuvens escuras pareciam dizer, num trovão retumbante,

Que a saudade de ti já chegara ao firmamento

E que, na impossibilidade de te apagar da lembrança,

O mais louvável seria se expressar numa chuva torrencial...

Na mansidão com que os pingos castigam o solo,

Parodiando tua imagem martelando em meus sonhos,

Percebo que a vida se faz por ciclos intermitentes,

Onde te amei intensamente por tão poucos verões,

E agora preciso te esquecer através de invernos sempiternos.

No meu coração está caindo uma tempestade –

São lágrimas saudosistas – fragmentos de uma ilusão,

Um sonho desfeito pelos pecados da presunção.

Às cinzas que restaram de mim, depois que te perdi,

Hão de se juntar essas lágrimas malogradas,

Formando um lamaçal que simboliza

A dor da solidão de quem perdeu a vontade,

O interesse de continuar buscando a felicidade –

Esse estado da alma em que as satisfações são plenas,

Os infortúnios, lembranças longínquas,

E a tua presença uma premissa indispensável...

Minhas esperanças estão encharcadas de dúvidas,

Receios que se eternizam na nebulosidade;

Falta um dia de sol pra dissipar a tristeza,

Digo, luz dos teus olhos irradiando amor,

Pra que a alegria volte a viver em minha vida

E eu volte a olhar o formato das nuvens com outros olhos.

A. Carlos Kal-el

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