Hoje me falta algo que nada no mundo pode me dar,
Ou me devolver, já que fui usurpado, de súbito...
Dos pedaços de mim que perco a cada instante:
Cabelos, ossos... os dias..., enfim, a razão, o juízo!
Nada se compara ao que perdi outro dia.
Perdi o chão... Se o chão pudesse ser perdido.
Perdi o céu... Se o céu pudesse ser conquistado.
Perdi a sintonia, a sensatez...
Ah, sim! Isso pode ser perdido, pode ter certeza!
Ou nunca, durante toda uma vida, pode ser achado,
Já que lucidez é privilégio de poucos,
E desespero é o vaticínio de todos.
Aonde foi parar a minha esperança de sonhar?
Ainda serei capaz de entender a inocência?
Quem julgou que eu seria capaz de suportar a dor?
Ou que, sequer, eu deveria senti-la?
Quem disse que eu precisava sentir na pele,
Ou no coração, pra aprender que nada é justo...
E pouco é certo...! A não ser o que não sabemos!
Estou precisando de um pouco de paz...
Hoje mais do que nunca precisei antes;
Um pouco da paz que sempre tive,
Mas nunca fui capaz de usufruir,
Pois sempre estive enganado sobre o que era a dor.
Hoje me falta algo que nunca dei o real valor,
Algo que se foi, indiferente à minha vontade.
Hoje me falta um pai... O meu...!!!
Alguém o roubou de mim!
Se eu soubesse quem foi, o traria de volta!
A. Carlos Kal-el


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