terça-feira, 15 de janeiro de 2008

FALTA ALGO

Indiferente a todas as minhas necessidades anteriores,
Hoje me falta algo que nada no mundo pode me dar,
Ou me devolver, já que fui usurpado, de súbito...
Dos pedaços de mim que perco a cada instante:
Cabelos, ossos... os dias..., enfim, a razão, o juízo!
Nada se compara ao que perdi outro dia.
Perdi o chão... Se o chão pudesse ser perdido.
Perdi o céu... Se o céu pudesse ser conquistado.
Perdi a sintonia, a sensatez...
Ah, sim! Isso pode ser perdido, pode ter certeza!
Ou nunca, durante toda uma vida, pode ser achado,
Já que lucidez é privilégio de poucos,
E desespero é o vaticínio de todos.
Aonde foi parar a minha esperança de sonhar?
Ainda serei capaz de entender a inocência?
Quem julgou que eu seria capaz de suportar a dor?
Ou que, sequer, eu deveria senti-la?
Quem disse que eu precisava sentir na pele,
Ou no coração, pra aprender que nada é justo...
E pouco é certo...! A não ser o que não sabemos!
Estou precisando de um pouco de paz...
Hoje mais do que nunca precisei antes;
Um pouco da paz que sempre tive,
Mas nunca fui capaz de usufruir,
Pois sempre estive enganado sobre o que era a dor.
Hoje me falta algo que nunca dei o real valor,
Algo que se foi, indiferente à minha vontade.
Hoje me falta um pai... O meu...!!!
Alguém o roubou de mim!
Se eu soubesse quem foi, o traria de volta!
A. Carlos Kal-el

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