sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

RECONCILIAÇÕES

Quando brigamos, expomos nossas insatisfações...

Embora as palavras que ficam retumbando na memória,

Sejam sempre aquelas que nunca deveríamos ter dito.

Mostramos, com a atitude de conversar, num tom mais elevado,

Que ainda que dividamos o amor, ou cópia dele,

Não estamos completamente felizes ou satisfeitos –

Daí vem a vontade de consertar algumas fissuras,

Ou talvez alargar de vez as trincas existentes...

E no cume das altercações, das ofensas mútuas,

Dizemos que não faz mal se tudo terminar;

Mas é somente quando os ânimos assentam,

Quando voltamos a ouvir alguma outra coisa,

Que não seja o som de nossa própria voz,

Que realmente nos damos conta que ficamos sozinhos –

Que as diferenças doem menos que a solidão...

Por fim, no auge da dor e do arrependimento,

Vem uma vontade incontrolável de voltar e pedir perdão;

É quando abrimos o peito e pomos os orgulhos de lado

E pedimos desculpas pelos palavrões e xingamentos...

Então o amor se renova, renasce, ressuscita,

Como as folhas, na primavera, depois do inverno,

Num sofisma incoerente, onde as brigas, atos rotineiros,

São meros subterfúgios para as reconciliações:

Sendo assim, meu bem, perdoe-me, que eu me excedi...

Agora me beije, que o amor necessita de continuidade!!!

A. Carlos Kal-el

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