Quando brigamos, expomos nossas insatisfações...
Embora as palavras que ficam retumbando na memória,
Sejam sempre aquelas que nunca deveríamos ter dito.
Mostramos, com a atitude de conversar, num tom mais elevado,
Que ainda que dividamos o amor, ou cópia dele,
Não estamos completamente felizes ou satisfeitos –
Daí vem a vontade de consertar algumas fissuras,
Ou talvez alargar de vez as trincas existentes...
E no cume das altercações, das ofensas mútuas,
Dizemos que não faz mal se tudo terminar;
Mas é somente quando os ânimos assentam,
Quando voltamos a ouvir alguma outra coisa,
Que não seja o som de nossa própria voz,
Que realmente nos damos conta que ficamos sozinhos –
Que as diferenças doem menos que a solidão...
Por fim, no auge da dor e do arrependimento,
Vem uma vontade incontrolável de voltar e pedir perdão;
É quando abrimos o peito e pomos os orgulhos de lado
E pedimos desculpas pelos palavrões e xingamentos...
Então o amor se renova, renasce, ressuscita,
Como as folhas, na primavera, depois do inverno,
Num sofisma incoerente, onde as brigas, atos rotineiros,
São meros subterfúgios para as reconciliações:
Sendo assim, meu bem, perdoe-me, que eu me excedi...
Agora me beije, que o amor necessita de continuidade!!!
A. Carlos Kal-el


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